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O estado das estradas na Região Oeste do Paraná é um desafio que afeta diretamente a vida de quem produz e de quem transporta. A região, motor do agronegócio estadual, enfrenta a contradição de gerar riqueza em meio a uma malha rodoviária que, em grande parte, não acompanha a sua pujança. Enquanto safras recordes são colhidas, rodovias estaduais com pavimento em condições ruins ou péssimas representam um custo elevado para a economia local, impactando o frete, a segurança e a competitividade de toda a região . Mais do que buracos no asfalto, essa é uma questão de infraestrutura que determina o ritmo do desenvolvimento regional.
O Diagnóstico da Crise Rodoviária no Oeste
A situação crítica das estradas não é uma mera percepção, mas um dado comprovado. Em 2023, um levantamento abrangente apontou que, no Paraná, apenas 12.5% das rodovias estaduais e federais estavam em condições ótimas . O foco no Oeste revela um quadro ainda mais preocupante, com destaque negativo para trechos de rodovias como a PR-495, PR-467 e PR-317 .
O problema vai além da superfície. A pesquisa avaliou três pilares: pavimento, sinalização e geometria da via. Enquanto o pavimento é a dor mais visível, a geometria da via (traçado, curvas, inclinação) apresentou um dos piores índices, com 13.5% dos trechos em estado péssimo e 21.3% ruins no estado, cenário agravado no sudoeste . Isso significa riscos maiores de acidentes, especialmente para caminhões carregados. A sinalização deficiente, por sua vez, transforma o tráfego noturno em uma jornada de alto risco .
Impacto Direto na Economia e na Segurança
Os prejuízos são mensuráveis e recaem sobre toda a cadeia produtiva:
- Custo Operacional Elevado: Um pavimento em más condições aumenta o desgaste de pneus, suspensão e o consumo de diesel. Estudos nacionais indicam que o custo operacional do transporte pode aumentar em mais de 30% em vias degradadas .
- Perdas com Acidentes e Danos: O setor de transporte paranaense já atribuiu prejuízos da ordem de R$ 450 milhões a danos em veículos, acidentes e atrasos decorrentes da má conservação das rodovias, especialmente após o fim de contratos de concessão anteriores .
- Risco Sistêmico para o Agro: O Oeste Paranaense é um dos celeiros do país. A dificuldade para escoar a produção com agilidade e segurança coloca em risco a competitividade de grãos e outros produtos, especialmente em períodos críticos como o da colheita .
Esforços em Andamento: Investimentos e Novas Frentes
Reconhecendo a gravidade do problema, diferentes níveis de governo têm mobilizado recursos em várias frentes. O Governo do Estado, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER/PR), investiu, somente em 2025, mais de R$ 1.5 bilhão na conservação de rodovias estaduais e serviços aos usuários . A maior parte destes recursos foi destinada à conservação do pavimento, incluindo serviços de tapa-buracos, fresagem e reforço da sinalização em cerca de 10 mil quilômetros de rodovias .
Uma aposta estratégica para maior durabilidade tem sido a pavimentação em concreto. O Paraná ampliou sua malha com este tipo de pavimento de 500 km para 755 km em 2025, com investimentos superiores a R$ 3.3 bilhões . Esta técnica, com vida útil mais longa e menor custo de manutenção, está sendo aplicada em obras importantes no Oeste, como a restauração e ampliação das PR-239 e PR-317, entre Assis Chateaubriand e Toledo .
Para conectar a produção diretamente no campo, o programa Estrada Boa, da Secretaria de Estado da Agricultura, destinou R$ 60.8 milhões para a pavimentação de 42 km de estradas rurais em oito municípios do Oeste, como Cafelândia, Corbélia e Nova Aurora . A previsão é pavimentar até 1.000 km de estradas rurais em todo o estado .
O Caminho para uma Solução Estrutural
Investir na manutenção contínua e em obras robustas é fundamental, mas resolver a questão exige uma visão integrada de longo prazo:
- Gestão e Manutenção Permanente: É crucial evitar o ciclo de “degradação e recuperação emergencial”. A manutenção preventiva e constante, com monitoramento por tecnologia, é mais eficiente em custo do que grandes reparos esporádicos.
- Foco na Segurança Viária: Melhorias devem considerar juntos o pavimento, a sinalização (horizontal e vertical) e a geometria da via. A implantação de dispositivos de segurança, como defensas metálicas e acostamentos adequados, é tão vital quanto a qualidade do asfalto .
- Integração Modal e Eficiência Logística: Reduzir a pressão sobre as rodovias exige fomentar alternativas. Apesar dos desafios atuais, o desenvolvimento de ferrovias e o uso otimizado da capacidade portuária são essenciais para um sistema logístico resiliente e menos dependente de um único modal.
- Transparência e Governança: A sociedade e o setor produtivo precisam de clareza sobre os cronogramas de investimentos, licitações e a transição para novos modelos de gestão, como as concessões. A governança transparente fortalece a confiança e assegura que os recursos serão aplicados com eficácia.
Conclusão
As estradas do Oeste Paranaense são mais do que vias de transporte; são artérias vitais para a economia de toda uma região. Superar o estado crítico de parte significativa dessa malha é um desafio complexo, que exige persistência nos investimentos, adoção de tecnologias comprovadas para maior durabilidade e uma gestão focada em resultados de longo prazo. A transformação já começou com obras importantes e investimentos volumosos, mas seu sucesso final depende da continuidade desses esforços e da prioridade permanente concedida à infraestrutura logística. Melhorar as estradas é, em última análise, pavimentar o caminho para mais desenvolvimento, segurança e qualidade de vida para todos os paranaenses.
E você, qual a sua experiência com as estradas da região?
- No seu trajeto diário ou profissional, qual o trecho rodoviário que você considera mais crítico e por quê?
- Na sua opinião, a prioridade imediata deve ser a pavimentação de novas estradas rurais ou a restauração completa das rodovias estaduais já existentes?
- Além de obras, que outras medidas (fiscalização, tecnologia, sinalização) você acredita que trariam mais segurança para quem trafega pela região?
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Sou Leandro Cazaroto e tenho a convicção de que a informação clara e acessível é a base para uma cidadania ativa e consciente. Quando os cidadãos estão bem informados, tornam-se agentes transformadores de sua própria realidade, capazes de participar de forma qualificada das decisões que moldam nosso futuro. Acredito que é através do conhecimento, da transparência e do diálogo baseado em fatos que construiremos um Paraná mais justo, desenvolvido e com oportunidades para todos. Essa não é apenas uma visão, mas um compromisso diário com a verdade e com o poder que cada pessoa tem de fazer a diferença.
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