quinta-feira, janeiro 8, 2026

43% das estradas do Oeste estão críticas. Por que o asfalto some antes de chegar ao chão?

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O estado das estradas na Região Oeste do Paraná é um desafio que afeta diretamente a vida de quem produz e de quem transporta. A região, motor do agronegócio estadual, enfrenta a contradição de gerar riqueza em meio a uma malha rodoviária que, em grande parte, não acompanha a sua pujança. Enquanto safras recordes são colhidas, rodovias estaduais com pavimento em condições ruins ou péssimas representam um custo elevado para a economia local, impactando o frete, a segurança e a competitividade de toda a região . Mais do que buracos no asfalto, essa é uma questão de infraestrutura que determina o ritmo do desenvolvimento regional.

O Diagnóstico da Crise Rodoviária no Oeste

A situação crítica das estradas não é uma mera percepção, mas um dado comprovado. Em 2023, um levantamento abrangente apontou que, no Paraná, apenas 12.5% das rodovias estaduais e federais estavam em condições ótimas . O foco no Oeste revela um quadro ainda mais preocupante, com destaque negativo para trechos de rodovias como a PR-495, PR-467 e PR-317 .

O problema vai além da superfície. A pesquisa avaliou três pilares: pavimento, sinalização e geometria da via. Enquanto o pavimento é a dor mais visível, a geometria da via (traçado, curvas, inclinação) apresentou um dos piores índices, com 13.5% dos trechos em estado péssimo e 21.3% ruins no estado, cenário agravado no sudoeste . Isso significa riscos maiores de acidentes, especialmente para caminhões carregados. A sinalização deficiente, por sua vez, transforma o tráfego noturno em uma jornada de alto risco .

Impacto Direto na Economia e na Segurança

Os prejuízos são mensuráveis e recaem sobre toda a cadeia produtiva:

  • Custo Operacional Elevado: Um pavimento em más condições aumenta o desgaste de pneus, suspensão e o consumo de diesel. Estudos nacionais indicam que o custo operacional do transporte pode aumentar em mais de 30% em vias degradadas .
  • Perdas com Acidentes e Danos: O setor de transporte paranaense já atribuiu prejuízos da ordem de R$ 450 milhões a danos em veículos, acidentes e atrasos decorrentes da má conservação das rodovias, especialmente após o fim de contratos de concessão anteriores .
  • Risco Sistêmico para o Agro: O Oeste Paranaense é um dos celeiros do país. A dificuldade para escoar a produção com agilidade e segurança coloca em risco a competitividade de grãos e outros produtos, especialmente em períodos críticos como o da colheita .

Esforços em Andamento: Investimentos e Novas Frentes

Reconhecendo a gravidade do problema, diferentes níveis de governo têm mobilizado recursos em várias frentes. O Governo do Estado, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER/PR), investiu, somente em 2025, mais de R$ 1.5 bilhão na conservação de rodovias estaduais e serviços aos usuários . A maior parte destes recursos foi destinada à conservação do pavimento, incluindo serviços de tapa-buracos, fresagem e reforço da sinalização em cerca de 10 mil quilômetros de rodovias .

Uma aposta estratégica para maior durabilidade tem sido a pavimentação em concreto. O Paraná ampliou sua malha com este tipo de pavimento de 500 km para 755 km em 2025, com investimentos superiores a R$ 3.3 bilhões . Esta técnica, com vida útil mais longa e menor custo de manutenção, está sendo aplicada em obras importantes no Oeste, como a restauração e ampliação das PR-239 e PR-317, entre Assis Chateaubriand e Toledo .

Para conectar a produção diretamente no campo, o programa Estrada Boa, da Secretaria de Estado da Agricultura, destinou R$ 60.8 milhões para a pavimentação de 42 km de estradas rurais em oito municípios do Oeste, como Cafelândia, Corbélia e Nova Aurora . A previsão é pavimentar até 1.000 km de estradas rurais em todo o estado .

O Caminho para uma Solução Estrutural

Investir na manutenção contínua e em obras robustas é fundamental, mas resolver a questão exige uma visão integrada de longo prazo:

  • Gestão e Manutenção Permanente: É crucial evitar o ciclo de “degradação e recuperação emergencial”. A manutenção preventiva e constante, com monitoramento por tecnologia, é mais eficiente em custo do que grandes reparos esporádicos.
  • Foco na Segurança Viária: Melhorias devem considerar juntos o pavimento, a sinalização (horizontal e vertical) e a geometria da via. A implantação de dispositivos de segurança, como defensas metálicas e acostamentos adequados, é tão vital quanto a qualidade do asfalto .
  • Integração Modal e Eficiência Logística: Reduzir a pressão sobre as rodovias exige fomentar alternativas. Apesar dos desafios atuais, o desenvolvimento de ferrovias e o uso otimizado da capacidade portuária são essenciais para um sistema logístico resiliente e menos dependente de um único modal.
  • Transparência e Governança: A sociedade e o setor produtivo precisam de clareza sobre os cronogramas de investimentos, licitações e a transição para novos modelos de gestão, como as concessões. A governança transparente fortalece a confiança e assegura que os recursos serão aplicados com eficácia.

Conclusão

As estradas do Oeste Paranaense são mais do que vias de transporte; são artérias vitais para a economia de toda uma região. Superar o estado crítico de parte significativa dessa malha é um desafio complexo, que exige persistência nos investimentos, adoção de tecnologias comprovadas para maior durabilidade e uma gestão focada em resultados de longo prazo. A transformação já começou com obras importantes e investimentos volumosos, mas seu sucesso final depende da continuidade desses esforços e da prioridade permanente concedida à infraestrutura logística. Melhorar as estradas é, em última análise, pavimentar o caminho para mais desenvolvimento, segurança e qualidade de vida para todos os paranaenses.

E você, qual a sua experiência com as estradas da região?

  1. No seu trajeto diário ou profissional, qual o trecho rodoviário que você considera mais crítico e por quê?
  2. Na sua opinião, a prioridade imediata deve ser a pavimentação de novas estradas rurais ou a restauração completa das rodovias estaduais já existentes?
  3. Além de obras, que outras medidas (fiscalização, tecnologia, sinalização) você acredita que trariam mais segurança para quem trafega pela região?

Compartilhe este artigo para ampliar esse debate fundamental para o futuro do nosso Oeste Paranaense.


Sou Leandro Cazaroto e tenho a convicção de que a informação clara e acessível é a base para uma cidadania ativa e consciente. Quando os cidadãos estão bem informados, tornam-se agentes transformadores de sua própria realidade, capazes de participar de forma qualificada das decisões que moldam nosso futuro. Acredito que é através do conhecimento, da transparência e do diálogo baseado em fatos que construiremos um Paraná mais justo, desenvolvido e com oportunidades para todos. Essa não é apenas uma visão, mas um compromisso diário com a verdade e com o poder que cada pessoa tem de fazer a diferença.

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