Quando se trata de melhorar a libido, os melhores conselhos —aqueles que são realmente baseados em evidências— tendem a ser pouco sensuais: Durma bastante. Controle o estresse. Resolva problemas subjacentes no relacionamento ou questões médicas que possam estar minando seu desejo sexual.
Mas mesmo que você consiga fazer tudo isso, o desejo pode parecer elusivo, mudando constantemente em resposta a uma lista quase impossivelmente longa de fatores que inclui desde imagem corporal e hormônios até qualquer coisa irritante que seu parceiro acabou de dizer.
Não é de admirar que as discrepâncias de desejo sejam uma das principais razões pelas quais os casais procuram terapia.
Ainda assim, muitos de nós nos apegamos à ideia de que a libido “deveria” funcionar como um interruptor de luz, diz Emily Morse, educadora sexual e apresentadora do podcast “Sex With Emily”. E nos sentimos mal quando isso não acontece.
“Não penso na libido como algo que você realmente aumenta ou conserta”, disse Morse. “É algo para o qual você cria as condições.”
Conversei com Morse e alguns terapeutas sexuais e educadores sobre estratégias que podem ajudar.
FAÇA UMA AUDITORIA DE “DESLIGAMENTOS”
Quando você está tentando reacender o desejo, pode parecer contraintuitivo se concentrar em todas as coisas que o desligam. Mas fazer um esforço para entender melhor o que tende a diminuir sua excitação pode ser útil, diz David F. Khalili, sexólogo e terapeuta licenciado de casamento e família em São Francisco (EUA).
Ele explica que as pessoas frequentemente pensam que a baixa libido é algo que você “conserta” por adição —comprando novos brinquedos sexuais, por exemplo, ou novas técnicas. Khalili descobriu que geralmente é mais fácil para seus clientes identificar as coisas que atrapalham seu desejo.
Os assassinos da libido podem incluir “sentir-se criticado, preliminares apressadas, fazer sexo quando exausto ou apenas o mesmo roteiro sexual previsível”, diz ele. Até mesmo pijamas surrados ou usar meias na cama podem ser culpados.
Tente manter a lista específica e concentre-se em coisas que estão sob seu controle, recomenda Khalili. Pode ajudar anotar dois desligamentos e dois estimulantes que você quer discutir com seu parceiro —idealmente quando você não estiver distraído ou muito cansado— e expressar gratidão, talvez compartilhando o que você ama em seu relacionamento, ele recomenda.
PLANEJE A INTIMIDADE DA MANEIRA CERTA
Agendar sexo tornou-se um conselho clichê. E embora seja útil para alguns casais, também pode sair pela culatra, diz Rachel Wright, terapeuta licenciada de casamento e família baseada em Nova York.
Quando ela diz aos clientes para agendar sexo, frequentemente pensa que o que eles ouvem é uma ordem: Às 20h, devo ter relações sexuais. Ao longo do dia, eles podem sentir uma espécie de pressão iminente. Em vez disso, ela incentiva os clientes a pensar nisso como “agendar um espaço para intimidade física”.
Isso pode significar reservar uma hora em sua agenda para toque não sexual, diz ela, como abraçar no sofá ou trocar massagens nas costas.
Muitas pessoas experimentam o “desejo responsivo”, ou desejo que surge em resposta ao toque ou outros estímulos eróticos, em vez de impulsos sexuais que aparecem espontaneamente. Então, você pode começar a hora sentindo-se totalmente desinteressado em sexo, mas descobrir que seu desejo começa a surgir em resposta ao seu parceiro, digamos, massageando suavemente suas costas, explica Wright.
Mas mesmo que essa intimidade física pré-planejada não leve ao sexo, ela pode ajudá-lo a se sentir mais próximo e mais conectado um ao outro e ao seu próprio corpo.
Em um encontro em que você colocou sexo na agenda, faça o que puder para tomar decisões “pró-sexo” ao longo do dia, diz Ian Kerner, autor de “She Comes First” e terapeuta sexual baseado na cidade de Nova York. “Sejam gentis um com o outro, evitem conflitos, ajudem a garantir que tudo esteja em ordem, vão à academia.” (Exercício pode ajudar na função sexual.)
Igualmente importante: Faça o possível para evitar atividades que ele chamou de “anti-sexo”, como trazer muito trabalho para casa ou “phubbing” —estar mais focado em seu telefone do que em seu parceiro.
COLOQUE SEUS ÓCULOS COR-DE-ROSA
Ter uma visão compassiva do seu parceiro frequentemente pode ajudar a estimular a libido, afirma Lori Davis, conselheira sexual em Ithaca, N.Y.
“Nunca vamos nos excitar se acharmos que nosso parceiro é um idiota e não faz as tarefas de casa corretamente”, acrescenta ela. “Temos que silenciar esse viés de negatividade.”
Você pode se perguntar: O que eu aprecio nessa pessoa? Sobre o que estou sendo crítico? Posso deixar essas coisas fora do quarto, pelo menos por um tempinho?
Se você descobrir que o que está tentando momentaneamente deixar fora da porta do quarto é inescapável, essa é uma informação importante para ter, diz ela.
Frequentemente, pessoas que lutam com baixo desejo estão realmente lidando com bloqueios emocionais ou relacionais mais profundos, disse Kate Balestrieri, psicóloga e terapeuta sexual e autora de “What Happened to My Sex Life?”.
Balestrieri diz que pode ajudar refletir sobre questões como: Estou agradando os outros neste relacionamento? Posso me dar ao luxo de ser mais assertivo sobre o que quero? Minhas necessidades estão sendo atendidas?
MUDE O QUEM, QUANDO E COMO
Qualquer pessoa que já tenha sentido desejo por uma paixão sabe como a novidade pode alimentar o desejo. Quando você sente borboletas no estômago, parte disso é devido a uma queda no neurotransmissor serotonina e aumento da dopamina, explica Justin Garcia, biólogo evolutivo e diretor do Instituto Kinsey.
Por outro lado, pesquisas mostram que a familiaridade pode prejudicar o funcionamento sexual. Mas nem tudo está perdido para aqueles em relacionamentos de longo prazo, disseram os especialistas. Uma simples mudança ou duas em seu roteiro sexual habitual pode proporcionar uma dose de excitação.
“Se você geralmente é aquele que espera, tente iniciar”, recomenda Justin Pere, terapeuta sexual em Seattle.
Não se preocupe se parecer estranho ou mesmo se não levar ao sexo, diz ele, acrescentando que tomar a iniciativa às vezes pode reintroduzir um senso de agência sexual ou confiança.
Outra opção é mudar quando você faz sexo.
Joan Price, educadora sexual e autora de “Naked at Our Age: Talking Out Loud About Senior Sex”, recomenda passar uma ou duas semanas realmente observando se há momentos específicos do dia em que você tende a se sentir excitado, ou mesmo apenas mais relaxado. Use essa informação para agendar intimidade, ou para agir no momento, diz Price.
APRENDA UMA NOVA HABILIDADE JUNTOS
Tentar uma nova atividade —idealmente, algo tátil— pode ajudar as pessoas a se abrirem para a intimidade, diz Balestrieri. Isso porque oferece uma combinação potente de novidade, colaboração e toque físico, explica ela.
Considere uma aula de culinária, uma nova rotina de fitness ou mesmo se unir para aprender a jogar um videogame. Evite atividades em que um de vocês tenha muito mais experiência; a ideia é experimentar algo novo juntos.
“Quando você consegue fazer isso”, explica Balestrieri, “geralmente há uma vulnerabilidade compartilhada que de repente faz com que voltar para o quarto talvez não pareça tão assustador.”
Uma maneira de instigar o sistema de recompensa do seu corpo é buscar aventura com seu parceiro, diz Garcia. Isso não significa necessariamente fazer paraquedismo; explorar uma nova parte da cidade ou assistir a um filme assustador juntos já é suficiente, diz ele.
Quando você faz coisas que “são um pouco arriscadas” com seu parceiro, seu cérebro começa a associar esses sentimentos de excitação e novidade com seu parceiro, afirma ele.
TIRE A PRESSÃO
Muitos especialistas em intimidade enfatizam que as pessoas frequentemente temem os fluxos e refluxos normais no desejo e na libido —e se culpam se não os estão experimentando de uma maneira específica (geralmente espontânea).
“Um dos maiores assassinos da libido é tentar sentir desejo sob demanda”, disse Morse. Pressionar-se e pensar demais nas coisas só piora a situação, acrescentou ela.
Concentre-se em sair da sua cabeça e entrar em seu corpo, aconselhou ela, um conceito que os terapeutas às vezes chamam de “incorporação”. Durante momentos íntimos —seja com um parceiro ou sozinho— observe: Algo está lhe causando prazer? Tensão? Desconforto? O que está acontecendo com sua respiração?
O desejo sexual “geralmente aparece quando alguém se sente seguro, se sente presente, se sente vivo em seu corpo”, acrescenta ela.
Em certos casos, pode ajudar tirar o sexo completamente da equação, diz Pere.
Para parceiros lidando com grandes discrepâncias de desejo, uma breve pausa acordada pode mudar o foco para explorar caminhos para o prazer fora do sexo. Por exemplo, eles podem explorar o toque não sexual, diz ele, ou a paquera.
“Paradoxalmente”, afirma Pere, “o desejo pode crescer quando não se faz sexo constantemente.”





