O encontro entre a precisão das orquestras sinfônicas e o balanço refinado do arranjo vocal da canção popular ganha um belo registro nesta sexta-feira (31), quando o álbum “MPB4 Sinfônico” chega às plataformas digitais pelo selo Biscoito Fino. O trabalho eterniza a colaboração do quarteto — atualmente formado por Aquiles Reis, Miltinho, Dalmo Medeiros e Paulo Malaguti Pauleira — com a Orquestra Petrobras Sinfônica, sob regência do maestro Felipe Prazeres.
A semente do projeto foi plantada em outubro de 2024 num concerto com ingressos esgotados na Grande Sala da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, em celebração aos 60 anos da MPB. Meses após a apresentação, o grupo e os músicos retornaram à sala de ensaios da Petrobras Sinfônica, na Fundição Progresso, para gravar o repertório e registrar em estúdio a parceria e os arranjos inéditos concebidos para o espetáculo.
O alinhamento do disco reúne obras emblemáticas do cancioneiro nacional que se confundem com a trajetória do próprio grupo. Estão no repertório hinos de Chico Buarque como “Apesar de Você”, “Olê Olá” e “Roda Viva” — clássico cuja interpretação pelo MPB4 no Festival da Record de 1967 ajudou a definir a estética do gênero. Completam a seleção a bossa nova “Samba do Avião”, de Tom Jobim, o lirismo de “Porto”, de Dori Caymmi, a riqueza harmônica de “Velas Içadas”, de Ivan Lins e Vitor Martins e a pedrada poética de “O Ronco da Cuíca”, de João Bosco e Aldir Blanc.
As vestes orquestrais que cobrem as canções trazem assinaturas de Jaime Alem, Itamar Assiere, Gilson Santos e do próprio Paulo Malaguti Pauleira. Integrante que assumiu a função de arranjador vocal com a morte de Magro (1943-2012), Pauleira estreou na escrita sinfônica no projeto. “Foi a minha primeira experiência escrevendo para orquestra, por isso fiz apenas o arranjo para a linda canção ‘Porto’, de Dori Caymmi, que encanta nos shows que realizamos Brasil afora. Bati uma bola com o querido mestre, pianista e arranjador Itamar Assiere, que me deu dicas preciosas sobre a escrita para orquestra”, disse o músico.
A convivência com grandes conjuntos sinfônicos resgata memórias de início de carreira. Miltinho, um dos fundadores, lembra que o quarteto atuou ao lado de orquestras nas emissoras de TV durante os festivais das décadas de 1960 e 1970, mas destaca o impacto da nova colaboração: “Esse encontro com a Orquestra Petrobras Sinfônica foi maravilhoso”.
Aquiles Reis, também fundador, sintetiza a fusão de estilos: “Foi a confirmação de que a música não tem idade nem fronteiras. MPB4 Sinfônico é a MPB de terno e gravata, mas calçando alpercata e olhando para frente! Para o MPB4, o ambiente nas sinfônicas — e foram tantos encontros — é de pura empatia! Sejam os professores nossos contemporâneos, seja a galera sangue bom, tá tudo em casa. A música flui solta!”.
A vivência orquestral também dialoga com a história familiar de Dalmo Medeiros, no grupo desde 2004, quando substituiu Ruy Faria. Dalmo é filho de Geraldo Medeiros, fundador da icônica Orquestra Tabajara. “Estou cedendo para o Museu da Imagem e do Som [MIS] todo o acervo de partituras, fotos e álbuns de carnaval que meu pai guardou. Vai ficar bem guardado e qualquer pessoa poderá acessar este acervo. Isso é muito importante para a cultura brasileira, porque a Orquestra Tabajara fez história no Brasil”, disse o artista.
O lançamento dá continuidade ao trabalho recente do MPB4 na Biscoito Fino, gravadora responsável por “MPB4 – 60 Anos de MPB”. No dia 28 de outubro, o reencontro ganha nova edição presencial no palco do Teatro Riachuelo, no Rio.
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Autor: Folha




















