
O número de pessoas que morreram afogadas durante a travessia marítima nos últimos quatro dias subiu neste domingo (2) para 72, de acordo com autoridades da Espanha.
A invasão recente do território espanhol mobilizou cerca de 50 mil imigrantes que conseguiram romper as barreiras e acessar a cidade. Desse total, cerca de 48 mil pessoas já retornaram ao território marroquino após o cerco das forças de segurança.
O estopim para o caos fronteiriço é atribuído a uma recente decisão do Supremo Tribunal da Espanha, que flexibilizou o tratamento concedido a quem ingressa no país por vias marítimas. A Corte espanhola determinou que os imigrantes ilegais que alcançarem o território por mar não poderão sofrer extradições imediatas.
O entendimento liberatório da Justiça espanhola foi amplamente difundido e explorado em solo marroquino, gerando uma corrida desordenada em direção ao enclave. Movidos pelo afrouxamento das regras de deportação, milhares de pessoas se lançaram ao mar na tentativa de forçar a entrada na Espanha através de Ceuta.
Embate Político na Europa
A União Europeia convocou uma reunião de emergência para debater o avanço descontrolado da crise migratória em Ceuta para a próxima terça-feira (4). Ao todo, 22 países que compõem o bloco exigem respostas coordenadas e imediatas para conter a onda de travessias ilegais na região.
O avanço do fluxo migratório colocou as forças de segurança locais em estado de prontidão e escancarou a fragilidade da fiscalização na fronteira sul do continente.
O pedido para a realização do encontro emergencial não contou com a assinatura de França, Luxemburgo, Portugal, Irlanda e da própria Espanha, expondo as divergências internas do bloco socialista sobre o combate à imigração ilegal.
Apesar da omissão inicial do documento, o primeiro-ministro espanhol, o esquerdista Pedro Sánchez, declarou apoio à convocação da assembleia, que reunirá os ministros do Interior dos países europeus para traçar planos de contenção.
Barreiras na Fronteira
O premiê Pedro Sánchez, que é do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), instalou uma barreira flutuante de 500 metros de comprimento para frear o fluxo de milhares de migrantes que tentam, desde a semana passada, entrar em território espanhol.
A estrutura foi instalada pela Guarda Civil espanhola na madrugada de sábado (1º), na fronteira entre a cidade espanhola de Ceuta e o Marrocos, e visa atender uma decisão da Suprema Corte espanhola, segundo a qual migrantes interceptados no mar só podem ser imediatamente devolvidos caso haja barreiras físicas.
A barreira pneumática, que funciona por meio de ar comprimido, foi instalada às 2h50 no horário de Brasília e deve ficar entre 30 e 70 centímetros acima do nível da água e com até um metro abaixo da superfície. A estrutura foi colocada no quebra-mar de Tarajal, um dos principais pontos por onde os migrantes chegam a nado ao território espanhol.
Papa Leão XIV pede Paz na região
O Papa Leão XIV citou a grave crise migratória em Ceuta, enclave espanhol localizado no norte da África, durante a recitação da oração do Angelus, na Praça São Pedro, no Vaticano, neste domingo (2). O avanço descontrolado do fluxo na região colocou as autoridades locais e os países da Europa em alerta.
O pontífice manifestou apreensão diante do cenário na fronteira sul do continente europeu e classificou a onda de invasões como “alarmante”, enquanto o número de fatalidades no mar continua a subir em decorrência das travessias ilegais desencadeadas nos últimos dias.
Durante a bênção realizada na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV dirigiu-se aos fiéis e fez um apelo público pela restauração da ordem e estabilidade no território atingido pelo avanço migratório:
“Sigo com preocupação a alarmante situação em Ceuta. Pedindo a Deus, por meio da intercessão de Nosso Senhor da África, que se possam encontrar soluções de paz, de estabilidade e de justiça”, pediu.
Autor: Gazeta do Povo








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