
O Papa Leão XIV manifestou no domingo preocupação com a “situação alarmante” em Ceuta e apelou por soluções capazes de trazer paz, estabilidade e justiça ao enclave espanhol que enfrenta uma grande crise migratória e humanitária.
“Acompanho com preocupação a situação alarmante em Ceuta, rezando a Deus para que, por intercessão de Nossa Senhora da África, sejam encontradas soluções que tragam paz, estabilidade e justiça”, disse o papa após presidir o Angelus na Praça de São Pedro em 2 de agosto.
Suas declarações seguiram a chegada estimada de 50 mil a 60 mil pessoas vindas do Marrocos em 30 de julho, muitas das quais tentaram alcançar território espanhol nadando ao redor das barreiras fronteiriças.
Segundo dados fornecidos pelas autoridades espanholas, pelo menos 67 pessoas morreram, a maioria por afogamento. O fluxo sobrecarregou a capacidade de resposta da cidade autônoma e levou as autoridades a instalar barreiras adicionais próximas à passagem de fronteira de El Tarajal.
O papa também renovou seu apelo pelo fim dos conflitos armados ao redor do mundo.
“Continuemos a rezar pela paz, para que as guerras cessem em todo o mundo e soluções diplomáticas para os conflitos sejam encontradas”, disse.
“Lembremo-nos de todas as vítimas das hostilidades, especialmente os mais fracos e indefesos: crianças, idosos e doentes”, continuou. “Que o Senhor console aqueles que sofrem e abençoe o trabalho daqueles que levam ajuda e consolo.”
O Papa Leão também recordou o Perdão de Assis, a indulgência plenária tradicionalmente associada à capela da Porciúncula em Assis, Itália.
“São Francisco obteve esta indulgência do Papa Honório III em 1216, tendo sido inspirado — enquanto rezava na Porciúncula — por uma visão de Jesus e Maria cercados por anjos”, disse.
“Agradeçamos ao Senhor por este grande dom e valorizemo-lo, especialmente neste ano do oitavo centenário do Trânsito do Pobre de Assis, que morreu na Porciúncula em 3 de outubro de 1226.”
Anteriormente, em sua reflexão antes do Angelus, o Papa Leão encorajou os católicos a redescobrir a prática de abençoar as refeições como um simples testemunho público de fé e uma forma de trazer a beleza da Eucaristia para a vida cotidiana.
“Ao saborear a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a testemunhar sua beleza em nossas ações diárias, começando por abençoar as refeições à mesa com a família e amigos”, disse.
O papa refletiu sobre o relato evangélico da multiplicação dos pães e peixes, explicando que os milagres de Cristo revelam tanto seu cuidado pela humanidade quanto a salvação que ele oferece ao mundo.
“Quando ouvimos o Evangelho, frequentemente escutamos que Jesus realizou sinais, que são atos que revelam sua dedicação especial a nós e a salvação que ele traz ao mundo”, disse. “O Senhor é apresentado como Aquele que dá sentido às nossas vidas, libertando-nos do mal e do pecado.”
O Papa Leão disse que os milagres de cura de Cristo não eram meramente atos extraordinários, mas sinais de que o reino de Deus estava próximo.
“Ao restaurar a visão aos cegos e a audição aos surdos, Cristo está fazendo mais do que simplesmente realizar feitos miraculosos; ele está proclamando a todos que o Reino de Deus está próximo”, disse.
O Evangelho, continuou, mostra que Cristo não apenas restaura os sentidos, mas também os preenche com coisas boas, dando alimento aos famintos, assim como visão aos cegos e audição aos surdos.
“O relato da multiplicação dos pães nos mostra que o encontro com o Senhor é uma experiência nutritiva”, disse. “No deserto, isto é, quando estamos em necessidade, Cristo é o pão da vida.”
Os 12 cestos de comida que sobraram depois que a multidão comeu, explicou o papa, significam tanto o caráter universal do dom de Deus quanto a constância de seu cuidado providencial.
“Cristo verdadeiramente satisfaz a fome da humanidade, nossa fome de verdade e vida”, disse. “Seu gesto nos ensina que nada é descartado quando é compartilhado.”
O Papa Leão contrastou esse espírito de generosidade com uma cultura impulsionada pela acumulação e pelo desperdício.
“Acumular e desperdiçar, ao contrário, são dois lados do mesmo mal: a ganância”, disse.
Ele descreveu a ganância como uma doença espiritual que embota os sentidos e torna as pessoas indiferentes ao sofrimento dos outros.
“Esta doença espiritual entorpece os sentidos, que se intoxicam com a riqueza, a ponto de fazer as pessoas esquecerem aqueles que choram de fome e clamam de sede”, disse.
“E assim, diante de uma opulência que cheira a podridão, encontramos as mãos estendidas daqueles que não têm alimento, as casas queimadas daqueles que não têm paz.”
Contra os “desertos da guerra e da arrogância”, o papa convidou os cristãos a contemplar as ações de Jesus durante a multiplicação dos pães: olhar para o céu, abençoar o pão, parti-lo e dá-lo aos discípulos para distribuir.
“Neste milagre de caridade, reconhecemos as ações características de Jesus, que encontram sua culminação na Última Ceia, pois foi então que o Filho de Deus nos deu sua própria vida como nosso irmão em humanidade”, disse.
O papa concluiu encorajando os católicos a fazer de suas férias de verão uma oportunidade para fraternidade e serviço.
“Na companhia de Jesus, até as férias podem se tornar um tempo de serenidade fraterna, se estendermos a mão aos nossos vizinhos necessitados”, disse.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Pope Leo XIV appeals for peace and justice amid ‘alarming’ Ceuta crisis
Autor: Gazeta do Povo








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