A Ucrânia anunciou nesta quarta-feira (12) a libertação de 26 localidades na frente leste da guerra com a Rússia, após uma operação que, segundo o comando militar ucraniano, se estendeu de 29 de janeiro a 12 de agosto. A ofensiva ocorreu no eixo de Oleksandrivka, que abrange partes das regiões de Dnipropetrovsk, Donetsk e Zaporizhzhia.
O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a operação teve como objetivo desorganizar a ofensiva russa e afastar as tropas de Moscou da região de Dnipropetrovsk. Segundo o comando das Forças de Assalto Aéreo, as tropas ucranianas também conseguiram expulsar infiltrados russos de áreas ocupadas desde o início da operação.
Zelensky afirmou ainda que 745 quilômetros quadrados foram libertados durante a ofensiva. O think tank ocidental Instituto de Estudos da Guerra (ISW, na sigla em inglês), por sua vez, estima a retomada de cerca de 625 quilômetros quadrados no eixo de Oleksandrivka e na parte norte do eixo de Hulyaipole. Embora tenha retornado ao controle ucraniano, toda essa região permanece sujeita a constantes ataques russos, especialmente por meio de drones e bombardeios de aviação.
O ISW avalia que os resultados ucranianos foram favorecidos por uma combinação de fatores, incluindo melhorias no planejamento operacional, ataques contra as defesas aéreas russas, intensificação dos ataques à logística, emprego de drones e o corte do acesso das forças russas ao Starlink em fevereiro.
A ofensiva ucraniana também pode estar afetando o avanço das tropas russas na frente sul, de Hulyaipole em direção a Zaporizhzhia. Isso ocorre porque Moscou teve que remanejar tropas para se defender do avanço ucraniano.
Contudo, até o momento, não há perspectiva de que a ofensiva ucraniana possa se intensificar. Isso porque Drapatyi, o novo comandante ucraniano, deve focar mais recursos em ações de defesa do que na libertação de territórios invadidos. A prioridade deve ser especialmente a região de Donetsk, onde está o cinturão de defesa ucraniano e onde os maiores combates da guerra estão acontecendo atualmente.
Conquistar o cinturão formado pelas cidades de Kostiantynivka, Druzkivka, Kramatorsk, Sloviansk e Lyman é a prioridade do governo de Vladimir Putin.
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Como a Ucrânia conseguiu avançar
A ofensiva mencionada por Zelensky se refere a uma série de avanços ucranianos sobre territórios que haviam sido invadidos em 2025 pela Rússia nas províncias de Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia.
No ano passado, as tropas russas avançaram rapidamente sobre essas regiões enquanto os ucranianos concentravam seus esforços em defender áreas mais ao norte da frente de batalha. Mas o equilíbrio da guerra mudou em 2026, quando a Ucrânia convenceu o bilionário Elon Musk a cortar o acesso das tropas russas à rede de satélites Starlink. Moscou usava a rede para controlar drones e fazer ataques de média e longa distância.
Após a decisão de Musk, só os ucranianos passaram a contar com o sinal de internet da Starlink. A Ucrânia passou então a investir mais em drones e aumentar os ataques às linhas de suprimento da frente de batalha russa. A vantagem ajudou na retomada de território na frente de Oleksandrivka, que engloba regiões de Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia.
Como evidência do avanço, Kyiv apresentou imagens de tropas no terreno captadas por drones. Porém, a libertação do território ainda não foi confirmada com a presença de jornalistas internacionais no terreno. Em teoria, apenas imagens de drones não comprovam necessariamente a retomada definitiva do terreno.
Autor: Gazeta do Povo








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