
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, recebeu apoio praticamente unânime de políticos, empresários, imprensa e sindicalistas em sua decisão de enfrentar os Estados Unidos após o presidente Donald Trump impor tarifas de 50% a cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses exportados para os EUA. Em resposta, Carney anunciou uma retaliação “dólar por dólar”, que entrará em vigor em 8 de setembro – as tarifas norte-americanas já estão sendo aplicadas desde o último sábado.
Segundo a agência EFE, os principais veículos de imprensa canadenses, primeiros-ministros provinciais e líderes sindicais manifestaram apoio a Carney. Até mesmo o líder conservador de oposição Pierre Poilievre – que teve o apoio de Trump nas últimas eleições, quando foi derrotado por Carney – respaldou seu adversário político, afirmando que o Canadá não poderia aceitar o que classificou como “um mau acordo” e pedindo que o país fique unido para enfrentar o tarifaço norte-americano. Entre as raras exceções no apoio ao premiê, segundo a EFE, está a primeira-ministra da província de Alberta, a populista Danielle Smith; ela concordou com a decisão de abandonar as negociações, mas criticou a retaliação canadense.
Anteriormente, Trump havia anunciado uma tarifa de 50% sobre produtos canadenses, alegando que o Canadá adotava práticas discriminatórias contra exportações de bebidas alcoólicas, laticínios e veículos dos Estados Unidos. Essa taxação entraria em vigor no último dia 19, mas havia sido suspensa por três dias devido ao avanço nas negociações para um acordo. No entanto, na sexta-feira os dois lados abandonaram as conversas. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, alegou que os canadenses não quiseram assinar o que havia sido acertado e fizeram novas exigências. Já o primeiro-ministro Carney afirmou que, na última hora, os Estados Unidos acrescentaram cláusulas que dificultariam futuros acordos comerciais entre o Canadá e outros países, além de prejudicar alguns setores estratégicos da economia canadense.
Apesar do amplo apoio que Carney conseguiu, os canadenses estão apreensivos sobre o que pode acontecer com o novo tarifaço norte-americano. Segundo a EFE, o Royal Bank of Canada (RBC) estima que as novas taxas podem tirar cerca de 0,4 ponto porcentual do PIB canadense, prejudicando especialmente os setores eletrônico, têxtil, de móveis, madeira e papel. Empresários, mesmo tendo endossado a postura do primeiro-ministro, acreditam que a incerteza pode desacelerar investimentos.
Dentro dos Estados Unidos, além das esperadas críticas de políticos democratas, o ex-vice-presidente de Trump em seu primeiro mandato (2017-2021), Mike Pence, disse à emissora CNN que a guerra comercial traria novos riscos para a economia norte-americana em um momento de preços já em alta. Tarifaços anteriores e a elevação do preço do petróleo após o início da guerra com o Irã encareceram preços e puxaram a inflação, o que pode trazer problemas ao Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, previstas para novembro.
Autor: Gazeta do Povo








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