No principal aeroporto internacional de Milão, centenas de turistas esperam pelas malas ao redor da esteira de bagagens.
Entre os visitantes, um grupo com uniformes estampados de cor vermelha chama a atenção. Passo por eles e é fácil reconhecer: parte da delegação do Canadá acaba de chegar. Ando alguns metros em direção à saída e voluntários, sorridentes, dão as boas-vindas. Na entrada da estação de trem que me leva ao centro da cidade, há um telão mostrando imagens marcantes das Olimpíadas de Paris-2024. Rayssa Leal aparece voando no skate. Bandeiras e placas com os anéis olímpicos não deixam dúvidas: os Jogos de Inverno estão prestes a começar.
Chego à Itália para cobrir pela oitava vez os Jogos Olímpicos in loco como jornalista, com a mesma empolgação da primeira. Tem algo sobre esse evento que o faz mágico, especial e único. Mesmo que cada edição seja diferente. Que sorte a minha.
Quem lê as notícias, a dias da cerimônia de abertura, em 6 de fevereiro, pode achar que vai ser uma bagunça. A arena do hóquei de gelo ficou pronta com atraso; isso vai atrapalhar os atletas? Se o Ice —a agência de imigração norte-americana— vai fazer a segurança de autoridades dos Estados Unidos que estarão aqui, como fica o moral da polícia italiana? Em tempos de aquecimento global, vai ter neve?
Não se assustem. É normal, antes de os Jogos começarem, que o foco seja nos problemas do país-sede. Costumo dizer que acho ótimo, pois pressiona governos e organizadores e os força a agirem.
Estou confiante de que vai dar certo, apesar de alguns desafios. Serão os Jogos mais espalhados da história, em Milão e em outras três regiões dos Alpes italianos. A ideia é aproveitar pistas e arenas já existentes, construir o menos possível. É essencial para evitar elefantes brancos, mas traz uma dor de cabeça de logística.
Em contrapartida, os italianos têm experiência em sediar grandes eventos. Só Jogos Olímpicos, foram três —um de verão e dois de inverno. Na parte esportiva, são parecidos com os brasileiros. Além do futebol, amam vôlei, algo não tão comum na Europa Ocidental. Jogam e torcem com emoção, como nós. Em um país tão rico em arte, cultura, arquitetura e culinária, encantar os visitantes vai ser a parte mais fácil.
Quem assistir pela televisão também vai se impressionar. Pode esperar: com o avanço das tecnologias de transmissão, as imagens na neve serão ainda mais espetaculares.
E, claro, o principal atrativo são os feitos dos atletas. Como esses homens e mulheres que dedicam a vida por um dia me ensinam sobre resiliência, disciplina, busca por excelência… É uma competição que sempre tem muito mais histórias que os milhares de jornalistas presentes conseguem contar. Nos próximos dias, vamos conhecer quais delas vão moldar estes Jogos. E, quem sabe, desta vez, vem a primeira medalha da história do Brasil em Olimpíadas de Inverno? Nunca estivemos tão perto.
Nenhum evento ou organização esportiva é perfeito. Problemas sempre acontecem, é preciso cobrar e criticar quando necessário. Mas, mais uma vez, não tenho dúvidas: os Jogos Olímpicos valem a pena.
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Autor: Folha
















