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Bets: campanha contrária diz que torcedor já paga a conta – 18/09/2026 – Negócios


São Paulo


A coalizão Brasil Contra Bets repudiou nesta sexta-feira (18) o manifesto divulgado na véspera por clubes de futebol em defesa dos patrocínios de casas de apostas. A aliança de 22 organizações afirmou que o argumento de que o setor é indispensável para a sustentabilidade financeira da modalidade ignora o impacto social da atividade.

No manifesto publicado na quinta-feira (17), clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo sustentaram que a proibição de contratos com empresas de apostas, uma hipótese em discussão pelo governo Lula (PT), inviabilizaria o esporte. Levantamento feito pelos próprios times estimou em R$ 1 bilhão de perdas em patrocínios, a principal fonte de renda das equipes junto com a venda de jogadores.”

Para Lucas Louback, gerente de advocacy do Bonde, organização integrante da coalizão Brasil Contra Bets, o torcedor já paga a conta das bets devido aos efeitos negativos na saúde e na economia. “Endividamento, comprometimento da renda familiar, sofrimento psíquico e uma crise que afeta o meio que o dependente vive. O que está em jogo não é o fim do futebol, mas o fim de um modelo que lucra com as perdas de quem torce.”

A coalizão argumenta que a dependência financeira do esporte foi construída recentemente e que a preservação da saúde pública e da proteção ao consumidor deve se sobrepor a contratos privados.

Tela de celular mostra o jogo de slots Fortune Tiger, conhecido como jogo do tigrinho

Fortune Tiger é um jogo de caça-níquel para celulares importado de Malta


Reprodução/Fortune Tiger

“O futebol existe no Brasil desde o final do século 19. Times patrocinados por casas de apostas são um fenômeno recente e só se tornaram relevantes depois da regulamentação do setor, a partir de 2024. Se o futebol precisasse de bets para existir, não teria existido antes”, diz a nota da campanha.

O grupo apoia o projeto de lei que restringe a propaganda de apostas online e reúne 85 coautores na Câmara dos Deputados de diversos partidos, além de outro projeto similar que avança nas comissões do Senado.

A proposta proibiria os “produtos de alto risco”, uma classificação que seria dada aos cassinos online e outras modalidades de apostas com resultados instantâneos.

A medida também vedaria o patrocínio de bets a clubes, competições, transmissões esportivas, eventos culturais e influenciadores digitais. Ainda proibiria publicidade tradicional, promoção nas redes sociais e campanhas com influenciadores e afiliados.

De acordo com a coalizão, as receitas das bets são formadas pelo dinheiro perdido pelos apostadores, “Muitos deles são atraídos por promessas de ganho fácil, publicidade massiva e associações emocionais com clubes, campeonatos e ídolos.”

“Quando uma empresa de apostas ocupa a camisa de um time, as placas do estádio, as transmissões e as redes sociais dos clubes, ela transforma a paixão pelo futebol em instrumento de captação de consumidores”, diz a campanha.

O debate ocorre em meio a discussões no governo federal sobre possíveis restrições à publicidade de apostas e cassinos virtuais. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na quinta-feira que nenhuma decisão foi tomada e que o governo avalia o impacto do endividamento nas famílias.

Em declarações ao podcast Desce a Letra Show, na quarta-feira (16), Lula disse ter “disposição pessoal” para acabar com o jogo. “Você lembra quando surgiu o crack? O cara viciado, ele chegava em casa, vendia o botijão. As bets estão assim. As pessoas estão vendendo o que não têm, se endividando.”

A Associação Nacional de Jogos e Loterias estimou uma perda de R$ 9 bilhões em investimentos até 2029 caso o governo restrinja a publicidade. Os cortes incluiriam, além dos negócios com os times, as campanhas com influenciadores e empresas de mídia, que também apoiam as bets.

Autor: Folha

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