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IA deve enfrentar resistência por energia e água caras – 22/09/2026 – IA


São Paulo


Apesar de ser vista como a principal fonte de otimismo com a atividade econômica, a IA (inteligência artificial) deve esbarrar em uma forte resistência de comunidades locais ao aumento de preços de energia e água, consequência do avanço de data centers.

Esse é o cenário projetado em uma nova edição da pesquisa feita pelo Fórum Econômico Mundial com 36 economistas-chefes das principais instituições financeiras globais do mundo, divulgada nesta terça (22).

Entre os participantes estão bancos como Deutsche Bank, UBS, Barclays, Bradesco e Itaú Unibanco, além de representantes de organismos como Banco Mundial e FMI (Fundo Monetário Internacional).

Dentre os consultados, 78% acreditam que os investimentos em data centers vão puxar uma parcela significativa do crescimento econômico global nos próximos meses. Nos Estados Unidos, cerca de 1 ponto percentual do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2025 foi atribuído apenas a investimentos relacionados à IA, segundo dado citado no relatório.

Edifício industrial grande em construção com fachada preta decorada por linhas brancas horizontais e verticais. Estrutura metálica visível no topo e andaimes na lateral direita. Várias máquinas de construção ao redor e veículos circulando na rua ao lado. Área industrial ao redor com outros galpões e terrenos vazios.

Data center em construção na Califórnia, nos Estados Unidos


Mario Tama/Getty Images via AFP

Praticamente todos os economistas ouvidos (97%) esperam aumento na adoção de IA nos próximos 12 meses, e 69% acreditam que a tecnologia vai gerar ganhos relevantes para a produtividade global. O documento chega a comparar o potencial da tecnologia ao impacto histórico gerado pela chegada da eletricidade nas economias.

Mas há ressalvas. Do total de entrevistados, 79% preveem forte resistência de comunidades locais à construção de novos data centers. O relatório descreve a expansão dessa infraestrutura que sustenta o avanço da IA como um dos principais focos de tensão da opinião pública atualmente.

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Nos Estados Unidos, pesquisa do instituto Gallup citada no relatório mostrou que cerca de três quartos da população se opõe à construção dessas infraestruturas em suas regiões.

A resistência está ligada ao aumento de custos para a população. A maioria dos economistas espera que a expansão dessas unidades eleve os preços de eletricidade (78%) e de água (58%) pagos por outros consumidores.

O relatório cita que, nos Estados Unidos, os data centers devem responder por 55% do crescimento previsto na demanda de eletricidade do país nos próximos cinco anos.

O documento ainda questiona o potencial da IA como geradora de empregos. Entre os economistas-chefes entrevistados, 61% afirmaram que não esperam que o investimento em data centers resulte em criação significativa de vagas de trabalho no mundo.

PERSPECTIVAS PARA A ECONOMIA GLOBAL

A perspectiva geral para a economia mundial melhorou. Do total de economistas consultados, 45% esperam piora da economia global nos próximos 12 meses, um número bem menor que os 89% registrados em maio.

As expectativas sobre inflação também estão mais otimistas. Em maio, 94% previam alta de preços no mundo; agora, esse porcentual caiu para 50%.

O relatório também alerta para riscos à frente. Conflitos geopolíticos são citados por 97% dos economistas como a principal fonte de incerteza para os próximos 12 meses. Correções nos preços de ativos financeiros aparecem em segundo lugar, citadas por 58% dos respondentes.

O suporte fiscal, que ajudou países a enfrentar crises desde 2020, perde força nas projeções dos economistas. A razão é o aperto orçamentário enfrentado por governos ao redor do mundo, o que reduz a margem para novas rodadas de estímulo caso surjam novos choques.

O custo de vida segue como fonte de preocupação: a maioria dos economistas prevê alta nos preços de alimentos (88%), eletricidade (83%) e transporte (77%) nos próximos 12 meses.

Para tentar conter esse avanço, a expectativa é que governos priorizem medidas como redução de impostos sobre bens essenciais e subsídios ao consumo.

O documento afirma que essa combinação de custos em alta e renda estagnada ajuda a explicar por que a confiança das famílias segue fraca, mesmo com emprego e produção resistentes.

As perspectivas de crescimento por região também mudaram desde maio. Índia e Sudeste Asiático aparecem como as economias mais bem avaliadas, e a Europa segue como a região mais fraca do levantamento.

A China teve piora na avaliação dos economistas. O relatório atribui esse recuo à fraqueza persistente no consumo interno e nos investimentos, mesmo com exportações e manufatura de alta tecnologia ainda resilientes.

Já a América Latina e o Caribe tiveram melhora nas projeções de crescimento. O relatório afirma que 80% dos economistas esperam expansão moderada ou mais forte na região nos próximos 12 meses, ante 67% em maio.

Apesar do avanço da fragmentação geoeconômica, esperada por 77% dos economistas nos próximos 12 meses, o comércio global deve seguir se adaptando. Dois terços dos entrevistados agora preveem alta no volume do comércio mundial, ante metade em janeiro deste ano.

A pesquisa foi realizada entre 4 e 20 de agosto de 2026, e as conclusões do relatório vão orientar os debates da Sustainable Development Impact Meetings 2026, evento do Fórum Econômico Mundial que acontece em Nova York entre os dias 21 e 24 de setembro.

Autor: Folha

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