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Veja complicações da blefaroplastia feita por Rita Guedes – 23/09/2026 – Equilíbrio

A atriz Rita Guedes, 54, publicou um vídeo nesta terça-feira (22) em que relata complicações após uma blefaroplastia feita em fevereiro e explica por que passou a usar óculos escuros com frequência. Segundo ela, houve ceratite (inflamação da córnea), quemose (inchaço na membrana do olho) e alteração no funcionamento da pálpebra, em um quadro que atribui a erro médico.

A blefaroplastia é uma cirurgia plástica simples para retirar o excesso de pele das pálpebras e pode incluir a remoção ou o reposicionamento de gordura. Pode ser feita nas pálpebras superiores, inferiores ou em ambas.

Segundo a cirurgiã plástica Cristina Pires Camargo, professora da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e membro da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica), o procedimento pode ser realizado por cirurgião plástico ou oftalmologista com formação em cirurgia oculopalpebral. Em geral, o paciente tem alta no mesmo dia.

Rita afirmou que não fez a cirurgia com um médico especializado em olhos, mas não informou o nome nem a especialidade do profissional. Segundo a atriz, a cirurgia durou seis horas, quando normalmente levaria entre uma hora e meia e duas horas, e ela precisou ser internada depois, sob risco de perder a visão do olho direito.

No pós-operatório, inchaço, hematomas e vermelhidão são esperados. A parte branca do olho também pode ficar avermelhada por uma hemorragia subconjuntival, quando há sangramento entre a esclera, camada branca do olho, e a conjuntiva, membrana que a recobre, explica a oftalmologista Juliana Lasneaux Ribeiro, do CBV-Hospital de Olhos e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular.

Uma das complicações relatadas por Rita foi a quemose, um inchaço da conjuntiva que pode dar ao olho a aparência de uma bolha. Segundo Ribeiro, é relativamente comum e costuma melhorar em até 15 dias. Quando persiste, porém, pode dificultar o fechamento do olho e provocar lesões na córnea.

Rita também relatou ceratite, uma inflamação da córnea que pode ocorrer pelo ressecamento do olho após a cirurgia. O quadro pode causar dor e sensação de areia nos olhos e costuma melhorar com o tratamento prescrito, que pode incluir colírios e pomadas.

O problema se torna mais grave quando o paciente não consegue fechar o olho. A retirada excessiva de pele pode deixar a córnea exposta, inclusive durante o sono. O ressecamento pode provocar uma úlcera de córnea e, em casos graves, levar à perfuração, afirma Ribeiro.

Em situações assim, pode ser necessário fazer um enxerto de pele para fechar a pálpebra. A prioridade é recuperar a função, proteger o olho e preservar a visão. A correção estética vem depois e complicações desse tipo podem deixar sequelas permanentes.

No caso de Rita, também houve alteração no músculo levantador da pálpebra. A atriz afirmou que ele ficou temporariamente paralisado, provocando a queda da pálpebra, e que atualmente o olho direito permanece cerca de 60% aberto.

A lesão desse músculo é uma complicação grave, segundo Ribeiro, porque nem sempre a função é recuperada mesmo após sua reinserção. Em 20 anos de atuação com cirurgias de pálpebra, ela afirma ter tratado dois pacientes que chegaram de outros profissionais com esse tipo de lesão. Nos dois casos, reinseriu o músculo e houve recuperação da abertura da pálpebra.

Uma das hipóteses levantadas pelos médicos que acompanham Rita é que o músculo tenha sido atingido pelo bisturi ou pinçado durante a cirurgia. Ribeiro afirma que isso é possível, embora pouco comum, porque o músculo fica próximo às bolsas de gordura, mas são estruturas diferentes e identificáveis. Na blefaroplastia, em geral, são retiradas pele e gordura, enquanto as demais estruturas são preservadas.

Rita afirmou ainda que soube dias depois, por um professor de oftalmologia acionado pela equipe do cirurgião, que havia ocorrido uma queimadura durante o procedimento.

Segundo Ribeiro, uma lesão térmica pode ocorrer pelo uso do cautério, instrumento que utiliza calor para controlar o sangramento. É uma complicação rara e pode atingir pele, cílios ou córnea. Dependendo da extensão, uma queimadura na córnea pode deixar cicatriz e comprometer a visão.

Entre as complicações mais graves está o hematoma retrobulbar, um sangramento atrás do olho que pode comprimir o nervo óptico e comprometer a visão. Segundo Camargo, da SBCP, dor, redução da acuidade visual, olho projetado para frente e dificuldade para movimentá-lo são sinais de alerta. O quadro exige atendimento rápido, já que a pressão pode ser aliviada para evitar uma lesão permanente, afirma Ribeiro.

Rita afirmou também que passou por uma cantopexia sem ter sido informada. O procedimento reforça o tendão da pálpebra inferior quando ela está frouxa e pode ser feito junto com a blefaroplastia, mas deve ser previamente informado ao paciente, diz Ribeiro.

A técnica pode elevar levemente o canto externo do olho. Se houver diferença entre os lados, um deles pode ficar mais alto que o outro, causando assimetria que pode exigir uma nova cirurgia.

Dor, visão turva, secreção purulenta ou sensação persistente de areia nos olhos são sinais de alerta que devem levar o paciente a procurar atendimento, afirma Ribeiro.

Autor: Folha

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