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Gestores de idosos nos EUA orientam famílias em crise – 11/10/2026 – Equilíbrio e Saúde

Kristin Martinelli começou seu dia de trabalho às 7h30 preenchendo pela internet um formulário de renovação da elegibilidade ao Medicaid (programa governamental dos Estados Unidos que oferece assistência médica e seguro de saúde gratuito ou de baixo custo) para uma cliente que vivia em uma casa de repouso em Austin, no Texas.

Em seguida, dirigiu até o local onde encontraria uma mulher de 85 anos e sua filha, que veio de outra cidade. A idosa apresentava “demência em estágio bastante avançado” e deveria se mudar naquele dia para a unidade de cuidados para pessoas com problemas de memória.

Martinelli trabalha como gestora de cuidados para idosos na Mir Care Consultants, na região central do Texas. As três tinham uma consulta às 9h com o médico da atenção primária, que preencheria a documentação necessária para a mudança.

Durante a consulta, Martinelli explicou a situação, e o médico disse que preencheria os formulários da paciente naquela tarde. Mais tarde, porém, ela recebeu a ligação de uma colega informando que, afinal, ele não conseguiria concluir os documentos naquele dia.

Isso desencadeou uma correria, pois não era seguro deixar a mulher sozinha em casa. Martinelli acabou ligando para uma agência de cuidadores domiciliares em que confiava. “Implorei que conseguissem um cuidador para mim nas quatro horas seguintes”, disse.

Se essa combinação de compromissos, burocracia, vigilância e preocupação com uma pessoa idosa vulnerável —muitas vezes entremeada por emergências médicas— lhe parece familiar, talvez seja útil conhecer um serviço que seus próprios profissionais, com certa frustração, chamam de o segredo mais bem guardado da assistência à pessoa idosa.

Profissionais independentes e certificados, como Martinelli, costumavam ser conhecidos como gestores de cuidados geriátricos. Foi assim que chamei as pessoas que ajudaram meu pai, então com 88 anos, a fazer a mudança de 200 quilômetros de seu apartamento para uma comunidade de cuidados continuados perto de mim e que, mais tarde, ajudaram minha irmã, que tem deficiência, a deixar sua casa e se mudar para uma residência assistida.

Também usei palavras como “bênção” e “indispensáveis”. Depois das mudanças, os gestores acompanharam mensalmente tanto meu pai quanto minha irmã e aliviaram meu receio de que alguma emergência pudesse acontecer justamente quando eu saísse de férias ou viajasse a trabalho.

Há cerca de uma década, esses especialistas passaram a se apresentar como gestores de cuidados para idosos nos Estados Unidos. Em geral, são necessários alguns anos para se tornar um deles.

A maioria chega à profissão com formação em enfermagem ou serviço social; alguns são fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais ou gerontólogos. Antes de poderem prestar o exame de certificação, precisam reunir uma combinação obrigatória de formação avançada e experiência supervisionada.

A Aging Life Care Association, organização sem fins lucrativos que representa esses profissionais, foi fundada na década de 1980 e cresceu até ultrapassar 2.000 associados, mas os gestores de cuidados ainda enfrentam um persistente problema de falta de conhecimento do público sobre seu trabalho.

“Quando conversamos com alguém, a pessoa diz: ‘Gostaria de ter ligado para vocês seis meses atrás, mas não sabia que existiam’”, afirma Susy Elder Murphy, proprietária da Aging Well Eldercare, uma grande empresa que atende Washington e seus subúrbios no estado de Maryland.

Segundo a Aging Life Care Association, em geral, quem telefona é um filho adulto. Martinelli descreveu uma situação comum: “A mãe está no hospital, ou os filhos foram visitá-la e não tinham percebido que ela estava tão doente. Eles estão em crise”.

É aí que entra o gestor de cuidados para idosos. O que o distingue —em geral, trata-se de uma mulher— de profissionais com denominações semelhantes e confusas, como consultores de cuidados para idosos, defensores de pacientes e orientadores de cuidados, é sua independência.

Os gestores de cuidados para idosos trabalham para o cliente e para a família que os contrata, não para hospitais ou seguradoras. Além disso, o extenso código de ética da associação proíbe expressamente “aceitar ou oferecer comissões por indicação, dividir honorários, receber propina ou participar de outros acordos semelhantes em troca do encaminhamento de clientes”.

Compare isso com empresas que prometem consultoria gratuita sobre moradias para idosos, como a A Place for Mom. As instituições pagam à A Place for Mom por encaminhar novos moradores, como a própria organização informa em seu site. Consultores de empresas que recebem essas comissões talvez dificilmente recomendem lugares que não pagam —ou cuidados domiciliares, a menos que a empresa também mantenha contratos com agências locais.

“Na verdade, eles são profissionais de marketing, vendedores”, diz Julie Wagner, diretora-executiva da Aging Life Care Association, referindo-se às empresas de encaminhamento. Algumas são mais transparentes do que outras sobre esses incentivos financeiros.

“Se você quer comprar um carro e vai a uma concessionária Ford, eles não vão dizer: ‘Na verdade, acho que um Subaru combina mais com você’”, afirma Murphy. “Você deveria conversar com alguém objetivo, neutro e experiente.”

Os gestores de cuidados não são baratos. Wagner disse que os valores cobrados por hora pelos membros da associação variam de US$ 150 a US$ 350 (aproximadamente de R$ 750 a R$ 1.750), com grandes diferenças geográficas. No Texas, a tarifa-padrão da Mir é de US$ 185 (R$ 923) por hora, com cobrança em intervalos de 15 minutos. Em Washington, a empresa de Murphy cobra US$ 210 (R$ 1.048) por hora.

Às vezes, os familiares dividem a despesa, como eu e minha irmã fizemos. E, em algumas cidades, órgãos de assistência social disponibilizam esses especialistas com valores proporcionais à renda.

Os gestores de cuidados para idosos atuam como coordenadores, e não como cuidadores diretos, e a gama de serviços que oferecem é bastante ampla.

Eles podem, por exemplo: organizar e supervisionar uma mudança para uma instituição residencial para idosos ou de uma unidade para outra dentro dela; lidar com seguradoras e programas como Medicare e Medicaid; levar um cliente ao dentista; recomendar não apenas comunidades residenciais e agências de cuidados domiciliares locais, mas também advogados especializados nos direitos da pessoa idosa, médicos especialistas, terapeutas, profissionais que organizam mudanças de idosos e instituições de cuidados paliativos; fazer visitas semanais ou mensais para verificar se tudo está correndo bem; e alertar os familiares caso não esteja.

“Parte do nosso trabalho é mediar as relações entre os familiares e servir como alguém que os ouve e os ajuda a refletir”, diz Martinelli.

Jeffrey Bernstein, engenheiro de Middleton, Massachusetts, há anos conta com a Aging Well Eldercare para ajudá-lo com os pais, dois irmãos mais velhos e uma tia, todos em Maryland. Como muitas pessoas que acabam conhecendo os gestores de cuidados, “eu não fazia ideia de que existia um profissional assim”, disse ele, até que sua esposa leu sobre eles em uma revista.

Bernstein, 65, não tinha como se mudar para cuidar diretamente da família. Mas, com os gestores, “quando surgia alguma coisa, eles estavam lá e assumiam a situação”, afirma. “Mais importante: eles sabiam o que fazer quando eu não saberia. Isso me trouxe uma enorme tranquilidade.”

O mesmo ocorreu com a cliente de 85 anos de Martinelli, em Austin. Ela passou a noite com cuidadores temporários e se mudou para seu novo lar na unidade de cuidados para pessoas com problemas de memória naquela terça-feira, depois que o médico finalmente providenciou a documentação necessária. “Ela entrou pouco antes do meio-dia”, conta Martinelli. “Almoçou.”

E como a nova moradora estava se adaptando? “Está tudo bem”, diz Martinelli, parecendo aliviada. “Até agora, tudo certo.”

Autor: Folha

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