A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou o recolhimento do picolé Bentô Gelatos Magnésio + Inositol Relief 3.0 e suspendeu sua fabricação, comercialização, distribuição, propaganda e consumo. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (26).
Segundo a agência, o produto contém melatonina e inositol (uma das vitaminas do complexo B), ingredientes que não passaram por avaliação de segurança para uso em alimentos convencionais.
Em nota enviada à reportagem, a Bentô Gelatos afirma que a produção do picolé foi pontual, em pequena escala, para testes e amostras, e foi encerrada em julho de 2026.
Segundo a empresa, os produtos fabricados são vendidos apenas na loja anexa à produção, no bairro Jardim Camburi, em Vitória (ES), sem revenda a terceiros. A marca afirma que a unidade da Praia do Canto, também na capital capixaba, não recebeu o picolé.
“Atualmente, não fabricamos nem comercializamos esse item e não temos unidades remanescentes em estoque ou exposição”, diz a nota.
A marca também contesta a associação do picolé às substâncias citadas pela Anvisa. Segundo a empresa, o produto não continha melatonina e foi vinculado a outro item, de uma marca específica, que tinha versões com e sem a substância.
Um produto de nome semelhante, o True Magnésio + Inositol Relief 3.0, é comercializado pela True Source como suplemento alimentar em pó.
Questionada pela reportagem sobre uma possível relação entre o suplemento e o picolé da Bentô Gelatos, a True Source afirma que “a equipe responsável já foi acionada para averiguar as informações apontadas.”
A Bentô diz ainda que o caso está sendo acompanhado por seu advogado, responsável pelos esclarecimentos junto à agência.
A decisão da Anvisa não detalha as quantidades das substâncias envolvidas nem informa se houve relatos de problemas de saúde relacionados ao consumo.
A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo, principalmente à noite, pela glândula pineal, no cérebro. Ela participa da regulação do ritmo circadiano, que organiza o ciclo de sono e vigília.
No Brasil, a Anvisa autoriza seu uso apenas em suplementos alimentares para adultos a partir de 19 anos, com limite máximo de 0,21 mg por dia. A substância não é aprovada como medicamento para tratar insônia.
Já o inositol é uma substância produzida pelo organismo e encontrada em alguns alimentos. Ele participa de mecanismos de sinalização celular, incluindo os envolvidos na ação da insulina, hormônio que regula a glicose no sangue, e na comunicação entre células nervosas.
A Anvisa autoriza seu uso em suplementos alimentares e em compostos líquidos prontos para consumo, como bebidas energéticas. A autorização, porém, depende da categoria do produto e das condições previstas na regulamentação sanitária.
Autor: Folha








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