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Vinhos com gradação alcoólica menor combinam com o calor – 07/01/2026 – Isabelle Moreira Lima

Entre as muitas tendências do mundo das bebidas que importamos do Hemisfério norte, o janeiro seco é a mais desafiadora. É natural que, depois de um excesso de festas como o que vivemos em dezembro, queiramos colocar o pé no freio. Mas, e se, depois de tanta celebração, temos… férias? Janeiro, no Brasil, é sinônimo de calor e água (seja praia, piscina, rio), viagens e relaxamento para muita gente, o que fatalmente leva a uma cervejinha, uma caipirinha ou quem sabe, uma taça de vinho bem refrescante e geladinha. Talvez o segredo, então, não seja frear, mas reduzir a marcha.

Ainda não sou entusiasta de tintos e brancos desalcoolizados, uma novidade do mercado que ainda parece precisar de pesquisa e testes para que atinja um nível de qualidade sensorial aceitável, mas vejo uma oferta cada vez mais interessante entre os que têm menos gradação alcoólica, algo entre 8% e 12%. A título de comparação, um cabernet sauvignon chileno pode ter entre 13% e 14% de álcool.

No processo de produção do vinho, o álcool tem a ver com o açúcar. Quanto mais doce a fruta, mais álcool ela vai produzir, pois o processo de fermentação que transforma o mosto das uvas em vinho se dá justamente pela transformação do açúcar, pelas leveduras, em álcool. O sol é outro componente importante nessa equação. Assim, uvas que são cultivadas em áreas mais quentes e ensolaradas, geralmente, são mais doces e, logo, produzem vinhos mais alcoólicos. Por outro lado, uvas de regiões frias têm menos açúcar e mais acidez, tornando-se menos alcoólicas e mais refrescantes.

Nesta época do ano, vale dirigir-se às prateleiras dos países e das regiões mais frias. Em vez da Austrália, a Nova Zelândia; em vez do sul da França, a Alemanha; em vez de Salta, na Argentina, o vale de Casablanca ou de Leyda, no Chile. E há regiões que são conhecidas por seus vinhos levinhos, perfeitos para os dias mais quentes e para quem quer desacelerar a ingestão alcoólica, como os Vinhos Verdes, de Portugal, que raramente ultrapassam os 12%.

É claro que há variedades que geram menos álcool. Entre elas estão glera, chenin blanc e as da família moscato, entre as brancas; pinot noir e gamay entre as tintas.

Outro estilo que resulta em menos álcool são os espumantes de método ancestral. Eles costumam ser leves e muito frescos, alguns com mais toque de levedura, outros mais frutados. Fiquei apaixonada pelo francês Famille Fabre L’Instant Bulle 2024 (R$ 168,90 na Peso da Régua), um blend bem elegante e equilibrado de colombard e sauvignon blanc, do Languedoc, feito com baixa intervenção. No Brasil, temos bons exemplares feitos pela Vivente, Casa Viccas, Arte da Vinha e Vanessa Medin, entre outros.

Entre as novidades do mercado há mudanças no processo de produção da bebida para que fiquem menos alcoólicas, como parar a fermentação antes que todo o açúcar seja convertido, resultando em bebidas mais leves e com uma pontinha de doçura final. É o caso do Amitié Below (R$ 59), um Trebbiano com 8% de álcool que foi apresentado ano passado na Pro Wine, em São Paulo. Tem o corpo bem leve, a acidez alta e o final adocicado. É agradável e vai bem com salada ou um prato de frutas, o que me teletransportou para um fim de tarde em um jardim.

O vinho tem dessas coisas. A depender da experiência sensorial que promove, atinge a imaginação de forma que a harmonização se dá num campo menos concreto e mais espiritual. Pode ser uma viagem, mas janeiro é o mês para isso.

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Autor: Folha

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