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Preço do arroz para de cair – 04/02/2026 – Vaivém

Fim de entressafra, os preços do arroz pararam de cair e se sustentam. Segundo acompanhamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o preço do cereal em casca permanece firme no Rio Grande do Sul. Para a instituição, há uma demanda pontual na recomposição de estoques, e a oferta atual está ajustada.

Vlamir Brandalizze, analista de arroz, diz que o fundo do poço parece ter sido atingido, mas que a recuperação de preços será lenta. Há uma alta de 1% a 2% nos preços pagos aos produtores no Rio Grande do Sul, com a saca ficando, em média, em R$ 53. Os produtores do Tocantins também querem mais pelo cereal, e a negociação está acirrada entre compradores e vendedores. Os primeiros pedem R$ 80 por saca, enquanto os segundos oferecem R$ 75.

O arroz terminou 2025 com preço médio de R$ 72 por saca no campo, 36% a menos do que em 2024. A queda nos preços pagos aos produtores deu um alívio aos consumidores, que pagaram 25% a menos pelo cereal, segundo apuração da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

O cereal viveu um cenário bem incerto nos anos recentes. A opção por soja, com maior liquidez nas vendas e mais rentável, fez parte dos produtores trocar o plantio do cereal pelo da oleaginosa. Na safra 2023/24, o país semeou apenas 1,48 milhão de hectares, e a produção recuou para 10 milhões de toneladas.

A redução na oferta e a competitividade das exportações fizeram o preço ao produtor atingir uma média recorde de R$ 113 por saca, em 2024, o que pesou também no bolso do consumidor. Os preços do arroz no campo subiram 65% nos últimos sete anos, conforme dados do Cepea. Nos supermercados, a alta foi de 67%, segundo a Fipe.

A aceleração dos preços fez o produtor investir mais no plantio na safra 2024/25, o que gerou uma produção recorde de 12, 8 milhões de toneladas. Desta vez, a maior oferta e a redução da demanda externa derrubaram os preços, tanto para o produtor como para o consumidor.

Essa diferença de mercado é mostrada pelo VBP (Valor Bruto de Produção), que, em 2024, atingiu R$ 24,8 bilhões, devido à alta dos preços no campo. No ano passado, esteve em apenas R$ 14,4 bilhões. O VBP indica o preço médio do produto dentro da porteira multiplicado pelo volume produzido.

A safra atual do Rio Grande do Sul, o principal produtor nacional, está com condições climáticas adequadas, segundo a Emater/RS. A área semeada é de 920,1 mil hectares no estado, conforme estimativa do Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz), e a produtividade deverá atingir 8.752 kg por hectare, de acordo com a Emater. Se os dois dados se confirmarem, a produção gaúcha será de 8 milhões de toneladas.

Os números internacionais apontam uma safra de 559 milhões de toneladas e um consumo de 553 milhões, segundo o Amis (Sistema de Informação do Mercado Agrícola), ligado à FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

Café Os estoques baixos vão manter o cenário de 2026 bastante sensível ao desenrolar do clima, segundo o Itaú BBA. Os analistas do banco estimam uma safra brasileira de 69,3 milhões de sacas em 2026/27, com alta de 10% sobre a anterior.

Café 2 A produção de arábica, prevista em 44,8 milhões de sacas, cresce 18%, e a de robusta, que recua para 24,5 milhões, fica 2% abaixo da anterior. Na avaliação do banco, a produção mundial sobe para 188 milhões de sacas.

Trigo A Argentina terá mais trigo para exportar neste ano. Com a área de 7,1 milhões de hectares semeados, o país vizinho espera produzir 27,7 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Rosário. O Ministério da Agricultura do país estima a safra em 27,8 milhões.

Trigo 2 Segundo a Bolsa, as exportações argentinas da safra 2025/26 poderão atingir 17,5 milhões de toneladas, acima dos 12,7 milhões de 2024/25 e bem distante dos 7,6 milhões de 2023/24.

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Autor: Folha

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