
“Hoje, já fiz o que tinha que fazer”, disse Alexandre de Moraes para uma plateia submissa da turma de Direito da USP nesta quinta. O ministro se referia à decisão de transferir Jair Bolsonaro para a Papudinha. Os bajuladores aplaudiram, lembrando que todo regime ditatorial necessita da cumplicidade de uma elite perversa.
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Carlos, filho do ex-presidente, chamou o ambiente da nova prisão de “severo” e lembrou que seu pai não cometeu qualquer crime. O novo espaço, maior, possui upgrades, sem dúvida, mas certamente Moraes não autorizou a transferência por crise de consciência humanitária.
Sua decisão, aliás, veio logo depois de encontro com Lula e de pesquisas mostrando certo momento para Flávio Bolsonaro. Seria uma forma de tentar esvaziar a denúncia de que Jair estava sob tortura? Essa é a tese do deputado Mauricio Marcon. O sistema quer manter Bolsonaro calado e afastado, mas vivo (por enquanto). Ao menos até a eleição.
Lula dava inúmeras entrevistas, recebia um monte de gente, descolou até uma namorada com quem casou depois, tinha esteira ergométrica na ‘cela’ e por aí vai. Não resta a menor dúvida: Bolsonaro é alvo da vingança do sistema
Outra possibilidade é uma cortina de fumaça para abafar o escândalo do Banco Master, que tem Moraes e Toffoli envolvidos até o pescoço. Sempre que o sistema se vê nas cordas puxa algum factoide ou cria alguma notícia sobre Bolsonaro, pois sabe que isso desvia a atenção da mídia.
Por mais que a Papudinha represente uma melhora em relação ao confinamento na PF, a escolha não foi fruto de preocupações humanitárias. Moraes disse que prisão não é “colônia de férias”, e comparou a situação de Bolsonaro com presos comuns para constatar que ele é um “privilegiado”. Por que o ministro não comparou com outros políticos?
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Nem vamos falar de Sergio Cabral e toda turma da Lava Jato que estão soltos! O ex-presidente Collor está em prisão domiciliar, em sua cobertura de frente para o mar em Alagoas, por ter bipolaridade. Chico Brazão, acusado de ter mandado matar Marielle Franco, foi para prisão domiciliar por questões de saúde. Por que Bolsonaro não pode ter o mesmo tratamento?
Se compararmos com Lula quando era presidiário, a discrepância salta aos olhos também. Lula dava inúmeras entrevistas, recebia um monte de gente, descolou até uma namorada com quem casou depois, tinha esteira ergométrica na “cela” e por aí vai. Não resta a menor dúvida: Bolsonaro é alvo da vingança do sistema.
E não é porque as condições melhoraram um pouco que devemos parar com as cobranças: Bolsonaro sequer deveria estar preso, mas com suas comorbidades e idade, a única prisão “aceitável” seria a domiciliar.
Autor: Gazeta do Povo





