O Corinthians entrou em campo como azarão e venceu o Flamengo no domingo pela Supercopa Rei. Assim como era zebra contra Palmeiras e Cruzeiro na Copa do Brasil do ano passado. Venceu, em mata-mata, os três melhores times do país, ao mesmo tempo em que terminou o campeonato nacional em 13º, com mais derrotas que vitórias e saldo negativo de gols.
Não compro o discurso de que o elenco “escolhe jogos”, mas sei que as partidas mais importantes geram uma mobilização maior —não apenas do Corinthians. O diagnóstico que me parece mais perto da realidade é que existe uma diferença notória de qualidade dos titulares para os reservas, o que torna impossível competir no longo prazo, mas encurta as distâncias em confrontos diretos.
Hugo Souza, Matheuzinho, Gustavo Henrique, Bidu, Bidon, Memphis e Yuri estão muito acima de seus eventuais substitutos, e sem um ou outro destes, o time perde suas boas dinâmicas.
E aqui entra o que pode ser a boa notícia: para reforçar o elenco, o Corinthians parece ter escolhido um dirigente que tem a cabeça em cima do pescoço. Marcelo Paz está apostando em nomes como Pedro Milans, Gabriel Paulista, Kaio Cesar e Matheus Pereira. Empréstimos ou chegadas a custo zero. Estarão à altura? Não sabemos. É o correto economicamente? Sem dúvidas.
Neste ano o clube volta à Libertadores. Nas últimas temporadas, viu seu arquirrival Palmeiras chegar à cinco semifinais. Seu principal competidor nacional de popularidade, o Flamengo, vem de ganhar três vezes em sete anos o torneio continental. Seria normal esperar investimentos para bater de frente com os adversários. Aqui, o que é certo surpreende: apertar os dentes, fechar a torneira dos custos e tentar reerguer o clube de vez.
É preciso fechar uma ferida com um curativo, não com maquiagem.
Quando o clube opta por esse caminho, ele escolhe justamente a direção tomada pelo Flamengo anos atrás. Até por isso talvez não seja insensato imaginar que o Corinthians deve piorar nos próximos anos. Se realmente quiser ser uma potência, o caminho natural é perder titulares e não repor com grandes investimentos.
O exemplo mais claro é Memphis. Com salário que estaria próximo a R$ 6 milhões fixos, além de R$ 25 milhões alcançados por metas e desempenho, o jogador tem um custo incompatível com o momento institucional do clube. Sua possível saída em junho é um alívio, apesar da ajuda técnica em campo. Quem quer se organizar financeiramente não pode se dar ao luxo de gastar perto de 10% de seu orçamento anual em um único jogador.
Quando sair, Memphis não deve ser substituído por alguém de seu nível. A dúvida é saber se haverá algum investimento ou se a política de austeridade é séria o suficiente para lidar com a perda.
O juízo financeiro também faz o clube ter ciência de que Breno Bidon, o jogador jovem que faria a Europa suspirar, é uma peça que talvez seja mais importante para a tesouraria do que para Dorival Jr. O mesmo vale para André, que aparece bem no início de ano.
Em 2025, o clube arrecadou perto de R$ 860 milhões. Metade do que fez o Palmeiras e menos da metade do Flamengo. Com a casa arrumada e dívidas controladas, é possível pôr a maquinaria Corinthians para trabalhar e arrecadar como seus rivais. Hoje é possível competir com eles apenas em jogos específicos e como azarão.
Ganhar a Supercopa é dar um pirulito para quem está se comportando, mas que não esqueça que ainda falta muito para passar de ano.
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Autor: Folha








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