quinta-feira, fevereiro 5, 2026
20.4 C
Pinhais

Médico recebe polilaminina, melhora, mas pede cautela – 05/02/2026 – Equilíbrio e Saúde

O médico Vicente José Schiavão, 69, de Avaré, no interior paulista, tem 40 anos de experiência profissional, a maior parte dela dedicada à neurologia. Dormindo, ele sofreu uma fratura espontânea na coluna, algo raro. Perdeu a sensibilidade e os movimentos da cintura para baixo. Recebeu polilaminina após conseguir uma liminar na Justiça e afirma estar melhorando, retomando sensação tátil e mexendo o pé.

A substância ainda está em fase de testes na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para certificar sua eficácia e segurança. Ela foi desenvolvida pela equipe da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e tem o laboratório Cristália como parceiro comercial.

Schiavão, que conhece bem o funcionamento da medula espinhal, diz acreditar que o produto tenha agido em seu corpo rapidamente, mas defende parcimônia em relação a promessas e expectativas.

“Aparentemente, a polilaminina sugere um benefício, mas ainda faltam elementos para dizer categoricamente que funciona. Duas semanas depois da aplicação, tive melhoras muito favoráveis, mas discretas”, diz.

Segundo Schiavão, ele nota o retorno da sensibilidade nas coxas, na região posterior das pernas e consegue sentir contração nos glúteos. Ele também voltou a ter movimentos de flexão e extensão do pé direito.

“Minha recuperação é satisfatória, mas ainda tenho muito o que recuperar. Comecei a voltar a controlar as fezes, mas a urina ainda não. Tive uma reação adversa muito tênue, que foi uma sensação de calor. É preciso lembrar que o organismo tem uma reação espontânea após o trauma, mas que, em geral, é bem mais lenta. A experiência que noto no meu corpo é de um bom resultado”, afirma.

Para o médico, é preciso ampliar o público de aplicação da polilaminina, o que está previsto nas próximas etapas da pesquisa clínica, para que as conclusões sobre a droga sejam mais efetivas e o conhecimento sobre possíveis efeitos colaterais seja mais amplo.

“Não tenho como garantir que foi a substância que agiu em mim. É difícil afirmar isso. Por outro lado, vemos vários resultados sendo mostrados pelo país, com as aplicações compassivas, autorizadas pela Justiça. No meu caso, era meu último recurso, eu não tinha nada a perder. Parece estar dando certo.”

Schiavão teve paralisia infantil aos dois anos e perdeu mobilidade na perna esquerda, o que não tem nenhuma relação com o trauma espontâneo que sofreu em dezembro de 2025 e não compromete a sensibilidade. Ele recebeu polilaminina, por ordem judicial, em 13 de janeiro. Usa muletas para seus deslocamentos.

O médico, cujo filho Lucas Schiavão também é neurologista, entende que os possíveis efeitos do medicamento podem variar de acordo com a idade dos pacientes, a rapidez com que a substância é aplicada, o acesso à fisioterapia de qualidade e o estado geral dos pacientes.

AÇÕES JUDICIAIS

As liminares que determinam o uso compassivo da polilaminina já são 34, de várias partes do país. Para que o procedimento seja realizado, é preciso anuência da Anvisa e avaliação médica. Apenas casos subagudos (até três meses após o trauma) têm sido atendidos.

Desde o fim do ano passado, quando a polilaminina foi anunciada, 18 pessoas receberam a substância por via judicial. Não houve relato, até o momento, de reação adversa marcante, segundo o grupo de pesquisa liderado por Sampaio.

O laboratório Cristália, parceiro da pesquisa e que produz a substância, não tem cobrado pelo fármaco, que tem sido injetado em hospitais públicos e privados. A empresa alerta que não existe venda da polilaminina em nenhum meio e que apenas ela detém a fórmula.

A Folha acompanha a recuperação de 13 pessoas que receberam o produto via judicial. Todos relataram algum nível de ganho motor ou de sensibilidade após a aplicação, segundo os pesquisadores da polilaminina. Os outros cinco casos estão em segredo de Justiça ou as famílias pediram que as informações sobre os paciente não sejam divulgadas à imprensa.

Especialistas alertam que há riscos ao se submeter a um procedimento ainda em fase de estudos clínicos. Esses riscos são desconhecidos e só vão sendo detectados durante o andamento da pesquisa.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas