O pianista, acordeonista, compositor e arranjador paulistano Daniel Grajew atacou com duas das maiores cantoras do Brasil em menos de 24h.
Na última sexta-feira (7), o artista tocou com a cantora Zizi Possi no espetáculo “Choro das Águas”, no teatro Bradesco, em São Paulo. No dia seguinte, sábado (8), acompanhou a cantora e compositora Marisa Monte no show da turnê “Phonica”, que a artista realizou no Parque do Ibirapuera.
Extremamente versátil, Grajew sabe desempenhar com muita propriedade seu papel no palco. No show de sexta-feira, o músico fez a cama para Zizi Possi deitar e rolar em meio a vários sucessos. Entre eles “Bilhete” e “Choro das Águas”, de Ivan Lins e Vitor Martins, “Se Eu Quiser Falar com Deus”, de Gilberto Gil, e “Podres Poderes”, de Caetano Veloso.
Sabe-se que de todas as formações talvez a mais difícil de tocar seja em duo, pois integrantes de um dueto não mentem. Nessa formação, os integrantes mostram o que tocam ou não tocam. Errou está errado. Não há conserto no concerto. O erro fica muito mais evidente quando em duo; não dá para esconder.
Embora Grajew toque há muito com Zizi Possi, o risco ainda é sempre muito grande, mas a cumplicidade musical entre ambos é notória. Os dois artistas produzem juntos uma música de alta qualidade, como mostrado na apresentação da última sexta-feira.
Com Marisa Monte, no sábado, não foi diferente. Grajew acompanhou a cantora com banda da artista, formada por Dadi Carvalho (guitarras e violão), Alberto Continentino (contrabaixo), Pupillo (bateria) e Pedrinho da Serrinha (cavaquinho e percussão), além de uma orquestra com mais de 50 figuras, regida pelo maestro André Bachur.
Tirando a canção “Bem Que Se Quis”, de Pino Daniele e Nelson Motta, Marisa Monte cantou praticamente todos os seus sucessos. Entre eles rolou “Vilarejo”, “Infinito Particular”, “Ainda Bem”, “Amor I Love You”, “Maria de Verdade”, “Beija Eu”, “Depois”, “A Sua”, “Feliz Alegre e Forte”, “Não Vá Embora”, além de “Panis et Circenses”, de Os Mutantes, “Cérebro Eletrônico”, de Gilberto Gil, e “Carinhoso”, de Pixinguinha, fechando a noite, em coro com o público.
O primeiro espetáculo, com Zizi Possi, era intimista e dentro de um teatro. Já o segundo, apoteótico, com um público que compareceu para ouvir Marisa Monte a céu aberto, correndo o risco de levar muita água na cabeça, pois a Defesa Civil de São Paulo havia emitido um alerta severo para chuvas intensas e rajadas de vento devido a um ciclone extratropical. Contudo apenas uma leve garoa deu as caras no final do show.
Nos dois shows, Daniel Grajew esbanjou sua conhecida versatilidade entre música erudita e popular, transitando com muita naturalidade entre choro, jazz, rock e música brasileira. O músico encorpou o som de Marisa Monte e dividiu o de Zizi Possi com extrema maestria.
Quando cantoras do naipe de Marisa Monte e Zizi Possi escolhem o mesmo pianista para acompanhá-las, uma coisa é certa: o sujeito é do ramo.
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Autor: Folha





