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Laura Pausini lança sequência do clássico ‘Io Canto’ – 06/02/2026 – Ilustrada

Em 2006, a italiana Laura Pausini lançou “Io Canto”, álbum em que resgatou antigas canções de seu país importantes em sua formação. Como resultado, o sucesso global. Agora, 20 anos depois, ela traz “Io Canto 2”, um disco parecido na proposta, mas diferente na concepção.

“Ele não estava programado”, diz a cantora. “A minha gravadora esperava um disco meu para 2027. Lembro que, em dezembro de 2024, durante um ensaio, perguntei para a minha banda se poderíamos tocar uma canção fora do meu repertório. Ali, naquele momento, na passagem de som. E foi assim que entendi que tinha chegado a vontade de fazer mais um disco de homenagens.”

Ela chamou então sua gravadora e empresários. “Em janeiro do ano passado, disse a eles que já me sentia pronta para uma nova turnê. Meu agente quis me matar. Tínhamos acabado uma turnê um mês antes, era muito pouco tempo de intervalo.” Pausini associa esse desejo cada vez mais forte de ir aos palcos ao sofrimento que relata ter sentido durante a pandemia de coronavírus.

“Fiquei com medo de que não fosse possível voltar a ter uma vida normal, aquilo que eu acho que seja minha vida normal. Viajar, sentir as pessoas, me sentir viva. Não faço parte da turma de artistas que gosta de compor, de gravar no estúdio. Gosto do ao vivo. Não é importante saber quantas pessoas estão lá, o que importa é ter alguém para quem eu possa mostrar a minha música.”

Pausini tem uma explicação bem peculiar para gostar desse tipo de álbum. “Eu só faço um disco de ‘covers’ quando sinto que preciso fazer, é algo físico, sabe? Parece tolice, mas é algo que sinto até nas cordas vocais. Eu fico um pouco cansada de cantar apenas as minhas canções, que eu trabalhei tanto no estúdio.”

A artista italiana destaca também memórias de juventude ligadas a esse projeto. “É um pouco como voltar à minha adolescência, quando eu cantava em piano-bar com meu pai. Sempre sonhei em cantar, não sonhava em ser uma pessoa famosa”, afirma.

“Para mim, voltar a cantar músicas de outros vem do fato de, apesar de ter uma carreira própria, eu ainda sou uma fã”, diz Laura Pausini. “Quando eu estou em casa, ou no carro, canto junto. Em festas, adoro organizar karaokês.”

Dessa forma, o repertório traz regravações de seus ídolos, num desfile do melhor da música italiana. Estão no repertório Umberto Tozzi, Zucchero, Achille Lauro, Lucio Dalla e outras lendas. E a presença de Madonna, na escolha de “La Isla Bonita”, hit da cantora americana em 1986.

Durante o processo de produção, ela mudou algumas músicas. “Gravei ‘Non Sono una Signora’, da grande roqueira italiana Loredana Bertè. A princípio, queria outra canção dela. Mas depois, escutando toda a discografia, mudei de opinião. No ‘Io Canto’, eu me dediquei mais a canções antigas. Neste segundo disco, apesar de ter uma canção de 1963, tenho até uma de 2023, é um intervalo muito mais amplo.”

Pausini gosta de expor as motivações por trás dos trabalhos que lança, mesmo que às vezes só façam sentido para ela. “Após gravarmos 98 ‘demos’, escolhi as que entrariam no disco, para dar um equilíbrio entre baladas e coisas mais roqueiras. Percebi que estava ali uma história de canções de autores italianos, e de gente que descende de italianos, como Marisa Monte“, diz a cantora, justificando assim a gravação de “Já Sei Namorar”, hit dos Tribalistas.

Há outros pedaços de Brasil no disco. Há 25 anos, Ana Carolina gravou uma versão de uma música italiana, “La Mia Storia tra le Dita”, de Gianluca Grignani, com o título “Quem de Nós Dois”. Pausini pensou num dueto, mas depois as duas chamaram também Ferrugem para dividir os vocais.

Outra faixa é “Dettagli”, a versão em italiano de “Detalhes”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, sucesso enorme na Itália em 1973, na voz da diva Ornella Vanoni. Há mais uma faixa em português, “O Céu Dentro de um Quarto”, mas sem conexão brasileira. É uma música de Gino Paoli, grande amigo de Pausini. Ela decidiu traduzir a canção, por acreditar que teria uma boa sonoridade.

Artista globalizada, aos 51 anos ela vê o mundo bem mais fragmentado. “Todos os dias, levantamos e a primeira coisa que ficamos sabendo, por redes sociais, TV ou jornais, sempre é violência, morte, guerra. Não podemos viver assim. Eu me sinto um pouco Joana d’Arc, mas a minha arma é o microfone. Então faço sacrifícios, como deixar minha família e viajar para fazer música.”

A turnê de “Io Canto 2” vem ao Brasil só daqui um ano, na Mercado Livre Arena Pacaembu, no dia 27 de fevereiro. Mas quem estiver com saudade de Pausini já pode ter um aperitivo nesta sexta, pela televisão, na abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, na Itália, na qual ela é uma das atrações.

Autor: Folha

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