Partidas ruins acontecem também com os melhores times da Europa e do mundo. Arsenal, líder do Campeonato Inglês e da Liga dos Campeões, e Chelsea, campeão mundial, fizeram um jogo muito fraco, sem criatividade, com pouca troca de passes e excessivas bolas longas da defesa para o ataque. Parecia muitos jogos no Brasil, como no empate entre Santos e São Paulo.
Repito, por causa da marcação intensa por pressão, cada dia mais forte em todo o mundo, para recuperar rapidamente a bola, tem aumentado o número de chutões e lançamentos longos da defesa, devido ao medo de tentar trocar passes e perder a bola na própria intermediária. Se isso crescer, haverá um retrocesso. O futebol ficaria mais feio e com menos qualidade. Algumas vezes, as bolas longas são necessárias, mas não podem ser tão frequentes.
Jogos excelentes também acontecem no Brasil, com frequência, como no empate entre Bahia e Fluminense. Foi uma partida bastante agradável, com muita inventividade, troca de passes, eficiência e muitas chances de gol. O gol do Fluminense, marcado mais uma vez por John Kennedy, foi lindo pela construção coletiva e pelo talento individual. Nas duas equipes, o meio-campo é a alma e o cérebro. Os meio-campistas marcam, constroem e avançam. Everton Ribeiro continua em grande forma.
O futebol brasileiro deveria acabar com o clichê de que o meio-campo é dividido entre o primeiro volante, camisa 5, marcador, o segundo volante, camisa 8, um pouco mais construtor, e o meia ofensivo, camisa 10, responsável por pensar, armar as jogadas e ainda entrar na área para fazer gols.
No empate por 1 a 1 entre Flamengo e Inter, Paquetá teve uma atuação discreta, atuando pela primeira vez desde o início da partida. Paquetá, diferentemente dos jogadores modernos, brilha mais em pequenos espaços, com toques de bola inventivos e surpreendentes.
Na derrota por 2 a 1 do Cruzeiro para o Coritiba, no Mineirão, ficou mais evidente que Tite tem outra ideologia, a de marcar por setor e fechar os espaços, em vez de pressionar com intensidade para tentar recuperar rapidamente a bola, como era com Leonardo Jardim.
Carlo Ancelotti está atento a todos os jogos no Brasil e no exterior. Na próxima convocação para os dois amistosos contra França e Croácia, o único jogador que ainda não foi chamado e que tem boas chances é o jovem Endrick, que brilha no Lyon, da França. No Real Madrid, por ter sido reserva de três excepcionais jogadores (Mbappé, Vinicius Junior e Rodrygo), Endrick atrasou a sua evolução, pois quase não jogou.
Os antigos chavões de que um jogador precisa de muito tempo para se entrosar e necessita atuar bem em várias posições e funções são questionáveis. Mais importante que o tempo é a união de características técnicas e físicas que se completam. Além do talento, é necessário encontrar a melhor posição em campo, do seu jeito.
Os craques costumam pensar o pensamento dos outros. Possuem um saber inconsciente que antecede o raciocínio lógico. Os neurocientistas chamam de inteligência cinestésica a capacidade de enxergar, em frações de segundo, tudo o que acontece à volta, além de calcular os movimentos e a velocidade da bola, dos companheiros e adversários. Ele sabe sem saber que sabe.
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Autor: Folha




















