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De promessa a estrela: como o mundo vê João Fonseca em 2026 – 16/01/2026 – Marina Izidro

Para João Fonseca, este Australian Open será bem diferente daquele que passou.

Há um ano, o brasileiro chegou ao torneio como um novato de 18 anos, 145° do mundo, teve que disputar três partidas do “quali” para chegar à chave principal —incluindo a vitória sobre Andrey Rublev, que foi seu cartão de visitas no circuito. Teve uma ascensão meteórica, subiu 115 posições no ranking, conquistou dois títulos de ATP, encantou o mundo do tênis. Agora, em 30º, será cabeça de chave em um Grand Slam pela primeira vez.

O início de temporada só não é melhor porque ele tem sofrido com dores nas costas, inclusive abrindo mão dos ATPs de Brisbane e Adelaide. Mas, até o momento em que escrevo esta coluna, o brasileiro estreia contra o norte-americano Eliot Spizzirri, 89º do ranking, no torneio que começa na noite deste sábado (17) pelo horário do Brasil.

João anda com o moral tão alto que o último a rasgar elogios a ele foi simplesmente um dos maiores de todos os tempos (e “o maior” para muitos). Da Austrália, onde disputa uma partida de exibição que abre a competição, Roger Federer disse que o brasileiro é um nome que pode ameaçar o reinado hoje compartilhado entre Carlos Alcaraz e Jannik Sinner; que se destaca pela potência, forehand, backhand, saque; que tem uma boa aura e é um cara fácil de se gostar. E que espera que João acredite que pode vencê-los e ganhar o torneio.

“Você não quer ser o terceiro cara, você que ser ‘o’ cara”, disse o suíço. Como parte do Big Three –ele, Rafael Nadal e Novak Djokovic têm 66 títulos de Grand Slam entre eles–, Federer sabe bem o que é isso.

Hoje, é de Sinner e Alcaraz a rivalidade deixada pelos três grandes. Djokovic ainda não saiu de cena, mas tem 38 anos, e parece haver um apetite no circuito para ver o que a nova geração pode fazer.

Por todas as qualidades que reúne, João é o candidato perfeito. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian publicada nesta quinta-feira (15), diz que o sonho de se tornar número um do mundo significa um caminho longo, difícil, mas possível. Não gosta de comparações —quando ouviu, por exemplo, que seria o próximo Djokovic— nem com Sinner ou Alcaraz: “Vou fazer minha própria história”.

Cada vez que vejo ou leio uma entrevista dele, percebo como compartilha sobre si mesmo na medida certa. Admite o que considera que precisa melhorar –”consistência, responsabilidade, mentalidade”—, mas não deixa que entrem demais na sua vida. Não expõe muito o lado pessoal e se preserva ao evitar redes sociais durante torneios.

A última referência que os estrangeiros têm de um tenista brasileiro vencedor é Gustavo Kuerten, cujo último dos três títulos em Roland Garros já faz 25 anos. Mais um motivo para todo mundo olhar com empolgação para João. Ele termina a entrevista dizendo que é impossível controlar a expectativa dos outros em relação a ele —algo que serve para cada um de nós em qualquer profissão. O único que dá para fazer é seguir trabalhando.

Nas próximas horas, saberemos o futuro de João no Australian Open. Se ele conseguir jogar, e avançar, pode enfrentar Sinner já na terceira rodada. Independentemente disso, o futuro segue parecendo brilhante.

E quando uma lenda do tênis fala tão bem de você, deve ser difícil ter um dia ruim.

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Autor: Folha

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