Nos últimos 25 anos, a força de trabalho médica passou por uma espécie de transformação: o número de assistentes médicos quadruplicou. Esses profissionais frequentemente usam jalecos brancos e têm autoridade para prescrever medicamentos, fazer diagnósticos e gerenciar planos de tratamento.
O QUE É UM ASSISTENTE MÉDICO?
Quando a função foi criada pela primeira vez na década de 1960, os assistentes médicos tinham como objetivo ajudar a expandir o acesso à saúde nos Estados Unidos rural, atuando como um “braço direito extra” para os médicos, realizando tarefas rotineiras, como coletar históricos de pacientes e realizar exames físicos, sob a supervisão próxima de um médico.
A profissão mudou substancialmente desde então: hoje, os assistentes médicos atuam em todas as especialidades médicas e com muito mais independência.
Ainda assim, existem algumas distinções importantes. Uma das diferenças mais claras é que os médicos têm mais formação profissional.
Enquanto os médicos passam cerca de quatro anos na faculdade de medicina e mais três a sete anos recebendo treinamento de especialização, os assistentes médicos normalmente frequentam um programa de mestrado de dois a três anos.
Na maior parte dos Estados Unidos, os assistentes médicos ainda são legalmente obrigados a trabalhar com supervisão de um médico. Mas o quão próximo um assistente médico trabalha com um médico depende muito da especialidade médica, das leis estaduais e da prática individual.
Em especialidades cirúrgicas, por exemplo, os assistentes médicos frequentemente trabalham ao lado dos médicos, controlando sangramentos, removendo tecidos e suturando o paciente. Eles não têm permissão para realizar grandes cirurgias de forma independente.
Mas na atenção primária, os assistentes médicos têm muito mais autonomia. Eles podem diagnosticar, prescrever medicamentos e criar planos de tratamento sem um médico na sala. Os estados diferem quanto ao nível de supervisão médica exigido na atenção primária. Em alguns, o médico deve estar a até 48 quilômetros de onde o assistente médico está atuando. Em outros, o médico pode estar remoto com pouca ou nenhuma verificação obrigatória.
A Academia Americana de Associados Médicos, uma sociedade profissional que representa os assistentes médicos, recentemente pressionou para desvincular a profissão dos médicos e mudar o título de assistente médico para associado médico.
A organização fez lobby junto a legisladores estaduais para mudar as leis de modo que os assistentes médicos possam atuar de forma mais independente. A organização argumenta que isso reduzirá os tempos de espera para consultas e diminuirá os custos de saúde.
A Associação Médica Americana, o grupo nacional que representa os médicos, argumentou que os assistentes médicos “não têm o mesmo conjunto de habilidades que os médicos” e que permitir que atuem sem supervisão médica pode colocar em risco a segurança do paciente.
Os assistentes médicos não devem ser confundidos com enfermeiros de prática avançada, outro grupo crescente de profissionais não médicos que similarmente têm autoridade para prescrever, diagnosticar e gerenciar cuidados.
Os dois tipos de profissionais normalmente frequentam programas de mestrado com duração aproximadamente igual, mas os programas de enfermeiros de prática avançada tendem a ser mais especializados em uma área de foco, como ortopedia ou oncologia, enquanto os assistentes médicos aprendem um currículo mais geral que é modelado na faculdade de medicina.
Os enfermeiros de prática avançada também têm muito mais autonomia para atuar sem supervisão médica depois de se formarem. Mais de 20 estados permitem que enfermeiros de prática avançada prescrevam, diagnostiquem e tratem pacientes sem supervisão médica, e mais de uma dúzia exige supervisão médica apenas para prescrições.
A qualidade de cuidado é equivalente a de um médico?
Depois que várias mortes ligadas ao atendimento de assistentes médicos desencadearam um debate sobre se os profissionais deveriam ter permissão para atuar de forma independente na Grã-Bretanha (onde a profissão era muito menos regulamentada do que nos EUA), um grupo de pesquisadores se propôs a responder exatamente essa pergunta, revisando 40 estudos que compararam a segurança, eficácia, eficiência e outras medidas de médicos com as de assistentes médicos. A grande maioria dos estudos foi conduzida nos Estados Unidos.
Vários estudos, eles descobriram, sugeriram que o acesso à saúde melhorou quando um assistente médico foi adicionado a uma equipe médica, potencialmente evitando atrasos perigosos no tratamento —embora não esteja claro se aumentar a equipe de qualquer forma teria o mesmo efeito.
Um estudo descobriu que quando um assistente médico especializado em medicina geriátrica começou a atender rotineiramente residentes de casas de repouso como parte de uma equipe liderada por médico, as visitas hospitalares anuais caíram 38%.
E quando os assistentes médicos trabalhavam em estreita colaboração com os médicos, seja auxiliando em cirurgias ou trabalhando em equipe no hospital, o atendimento era consistentemente de alta qualidade. A pesquisa também mostrou que assistentes médicos que se reuniam regularmente com pacientes para responder perguntas e preencher prescrições eram bons em ajudar os pacientes a gerenciar condições crônicas, como diabetes.
Mas em situações onde os assistentes médicos tinham menos supervisão de um médico e eram os principais responsáveis por fazer diagnósticos, a pesquisa foi muito menos conclusiva, diz Nicola Cooper, que estuda erro diagnóstico e segurança do paciente na Faculdade de Medicina da Universidade de Nottingham e liderou o estudo.
“Não há muitas evidências de alta qualidade”, afirma Cooper, em parte porque os pesquisadores medem danos nos cuidados médicos principalmente observando processos por negligência médica e mortes, ambos extremamente raros na atenção primária, dado que os profissionais atendem principalmente pacientes com doenças leves.
E avaliar outras métricas de qualidade, como erros diagnósticos e práticas de prescrição, nem sempre é comparar coisas equivalentes, já que os assistentes médicos às vezes são designados para casos mais simples do que os que os médicos atendem.
Alguns especialistas apontaram que a questão é irrelevante, já que muitos americanos não vivem onde há médicos prontamente disponíveis. Frequentemente, o que importa é o acesso a qualquer profissional de saúde.
Autor: Folha








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