Foi eleito neste sábado (7) o novo chefe das negociações para um tratado global pelo fim da poluição por plástico. A medida é essencial para que as conversas em busca de um acordo prossigam, após terem fracassado duas vezes nos últimos dois anos.
O escolhido foi o diplomata de carreira chileno Julio Cordano, que esteve à frente de negociações globais quando seu país chefiou a COP25, conferência das Nações Unidas sobre mudança climática.
A eleição aconteceu durante a reunião dos países em Genebra, na Suíça, depois de uma longa batalha.
“A poluição plástica é um problema planetário que afeta a todos: cada país, cada comunidade e cada pessoa”, disse Cordano após a votação. “É urgente a necessidade de um tratado”, acrescentou.
Mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas globalmente a cada ano, metade delas para artigos descartáveis. O problema é tão generalizado que microplásticos foram detectados nos picos das montanhas mais altas do mundo e nas profundezas do oceano.
Neste sábado, 156 países se reuniram na cidade suíça para escolher um novo chefe. Os três candidatos evidenciaram o quão distantes permanecem os diferentes grupos de países quanto ao tema —diretamente relacionado com a extração de combustíveis fósseis e com a indústria petroquímica.
Um bloco amplo quer ações audaciosas, como diminuir a produção de plástico, enquanto um grupo menor de produtores de petróleo deseja focar na gestão dos resíduos. Como as decisões são tomadas por consenso, é difícil conseguir acordos.
A reunião de um dia realizada neste sábado tinha como único objetivo escolher o novo chefe. Após duas horas de consultas infrutíferas, porém, foi necessário forçar uma votação. Cordano venceu duas rodadas, superando candidatos de Senegal e Paquistão.
Originalmente, estava previsto que o tratado pelo fim da poluição plástica fosse fechado em 2024, na Coreia do Sul, mas as negociações terminaram sem acordo. Os esforços foram retomados em Genebra, em agosto passado, e também fracassaram.
Dois meses depois, o negociador-chefe Luis Vayas Valdivieso renunciou ao cargo, paralisando o órgão.
Autor: Folha




















