O político António José Seguro, do Partido Socialista (PS), foi eleito presidente da República de Portugal neste domingo (8), após vencer o segundo turno das eleições presidenciais com ampla vantagem sobre seu rival, André Ventura, candidato de direita e representante do partido Chega.
Com cerca de 66 % dos votos — muito acima de Ventura, que obteve cerca de 34 % — Seguro conquistou uma vitória considerada histórica, marcando o retorno da esquerda ao Palácio de Belém após 20 anos.
A eleição foi decidida no segundo turno, um episódio raro — a primeira vez desde 1986 que o sufrágio presidencial em Portugal chegou a essa etapa, após nenhum dos candidatos ter alcançado mais da metade dos votos no primeiro turno.
Campanha marcada por contrastes ideológicos
Durante a campanha, Seguro se apresentou como uma “opção segura” (palavras de sua própria equipe) para liderar o país, destacando um compromisso com valores democráticos e com um estilo político menos polarizador.
Seu adversário, André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega, capitalizou o descontentamento de parte dos eleitores com os partidos tradicionais e com questões como imigração e insegurança, conquistando nas eleições legislativas anteriores um lugar importante no parlamento. Mesmo assim, não conseguiu converter essa visibilidade em votos suficientes para derrotar o candidato socialista no segundo turno.
Contexto político e adesões
A reta final da disputa ficou marcada por apoios cruzados de figuras de múltiplos espectros políticos, com setores moderados do centro e da direita expressando receio diante do discurso de Ventura e optando por respaldar Seguro, ainda que não sem reservas.
O presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que encerra seu mandato, telefonou ao sucessor eleito para parabenizá-lo e afirmou que irá recebê-lo oficialmente na próxima segunda-feira em Belém, reforçando a transição pacífica de poder.
Clima e participação
A eleição ocorreu em meio a condições climáticas adversas em várias regiões de Portugal, com tempestades e inundações que levaram à suspensão temporária da votação em algumas localidades, embora isso não alterasse o resultado nacional.
O papel do presidente
Apesar de o cargo de presidente em Portugal ter poderes principalmente cerimoniais, ele desempenha funções estratégicas como promulgar leis, dissolver o parlamento e representar o país no exterior. A vitória de Seguro pode influenciar o equilíbrio político em momentos de decisões importantes, especialmente com um governo minoritário atrás dele no parlamento.
Perspectivas
Agora, António José Seguro deverá tomar posse em 9 de março de 2026, iniciando um mandato de cinco anos. Analistas políticos veem na sua eleição um sinal de resistência das forças democráticas tradicionais e uma resposta da sociedade portuguesa às ondas populistas que têm crescido em várias partes da Europa nos últimos anos.
Créditos: Redação com agências
Autor: Agencia Paraná








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