A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou nesta segunda-feira (9) que os eleitores querem uma “mudança importante de política” após a ultradireita conquistar uma vitória esmagadora nas eleições legislativas de domingo (8).
Ela afirmou estar aberta ao diálogo com a China após provocar uma crise diplomática com Pequim em novembro com comentários sobre Taiwan. Ela também disse que o Japão protegerá seu território, águas territoriais e espaço aéreo, prometendo reforçar as defesas do país.
Takaichi agradeceu as “palavras calorosas” do presidente americano, Donald Trump, que comemorou sua vitória e disse que reforçará com o republicano a “unidade inabalável” dos dois países durante sua próxima visita aos Estados Unidos.
Segundo projeções, a coalizão do Partido Liberal Democrata (PLD) obteve 316 das 465 cadeiras da poderosa Câmara Baixa do Parlamento que estavam em disputa nas eleições legislativas antecipadas, convocadas por Takaichi no mês passado, para aproveitar sua popularidade. Em outubro de 2025, ela se tornou a primeira mulher a governar o Japão.
Se os resultados forem confirmados, a primeira-ministra, que tem o apoio de Trump, obterá um base sólida para administrar o destino do país de 123 milhões de habitantes pelos próximos quatro anos.
“A população demonstrou compreensão e simpatia pelos nossos apelos sobre a urgência de uma mudança importante de política”, declarou a chefe de governo de 64 anos nesta segunda, durante uma entrevista coletiva em Tóquio, na qual afirmou que está ciente da “grande responsabilidade de tornar o Japão mais forte e mais próspero”.
O triunfo nas urnas permitirá que ela avance com sua agenda ultraconservadora, que inclui aumento dos gastos com defesa, uma possível reforma da Constituição e normas migratórias mais rígidas, apesar da queda populacional.
Os países asiáticos acompanharão de perto se Takaichi vai elevar ou moderar o tom, depois de ter enfurecido a China. Ela declarou que o Japão poderia intervir militarmente em caso de ataque a Taiwan. O governo de Xi Jinping reivindica a ilha —formalmente chamada de República da China, com um presidente eleito democraticamente— como parte do seu território e não descarta utilizar a força para reunificação.
O governo chinês prometeu nesta segunda uma “resposta contundente” caso “as forças de extrema direita no Japão façam uma leitura equivocada da situação e atuem de forma imprudente”.
Pequim pede que o Japão retire os comentários sobre Taiwan e alerta para consequências em caso de ações precipitadas.
Favorável à linha dura em temas de imigração, ela recebeu o apoio de Trump, que no domingo celebrou sua “vitória esmagadora”. “Foi uma honra apoiá-la e sua coalizão. Desejo grande sucesso na implementação de seu programa conservador, centrado na paz por meio da força”, escreveu Trump em uma publicação na rede Truth Social.
O presidente americano disse que Takaichi demonstrou ser uma líder “sólida” e “sábia”.
Takaichi anunciou em 19 de janeiro a dissolução da Câmara Baixa do Parlamento, o que desencadeou uma campanha relâmpago de 16 dias.
Ela assumiu o cargo em outubro, após a renúncia de seu antecessor, Shigeru Ishiba, e desde então conseguiu atrair novos eleitores, inclusive os jovens.
O futuro da primeira-ministra depende, no entanto, do desempenho econômico da segunda maior economia da Ásia, fator que provocou a queda de seus dois antecessores.
Após um pacote de estímulo de 135 bilhões de dólares (702 bilhões de reais) para mitigar os efeitos da inflação, a principal causa do descontentamento dos eleitores, Takaichi prometeu suspender o imposto sobre consumo de alimentos.
A dívida do Japão é o dobro do tamanho de sua economia e, nas últimas semanas, os juros dos títulos de longo prazo atingiram índices máximos históricos..
Autor: Folha








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