Uma menina mexicana de um ano e meio com pneumonia sob custódia do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) dos Estados Unidos teve medicação negada, de acordo com uma ação judicial apresentada em um tribunal federal do Texas.
A criança, identificada como Amalia no processo, foi hospitalizada com uma doença respiratória potencialmente fatal. Após a alta, foi levada novamente ao South Texas Family Residential Center, na cidade de Dilley.
Amalia e os pais, venezuelanos que também estavam detidos em Dilley foram liberados depois que a ação foi protocolada, na sexta-feira (6).
Em uma declaração fornecida na segunda-feira (9) à agência de notícias Reuters, a porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos EUA, Tricia McLaughlin, disse que as alegações de que Amalia não recebeu tratamento médico ou medicamentos adequados são falsas.
A família foi detida durante uma apresentação às autoridades de imigração em 11 de dezembro e mantida no centro de detenção de acordo com o processo. Amalia ficou hospitalizada de 18 a 28 de janeiro e retornou à instalação de Dilley em meio a um surto de sarampo, segundo o processo.
Amalia teve febre altíssima a partir do dia 1º de janeiro, começou a vomitar frequentemente e apresentou dificuldade para respirar, de acordo com o processo.
Ela foi levada ao hospital em 18 de janeiro com níveis de saturação de oxigênio extremamente baixos e foi diagnosticada com Covid-19, vírus sincicial respiratório, bronquite viral e pneumonia, de acordo com o processo. Ela foi colocada em oxigênio suplementar.
Amalia recebeu um nebulizador e um medicamento respiratório na alta hospitalar, mas estes foram confiscados pela equipe do centro de detenção após seu retorno, de acordo com o processo. A menina perdeu 10% do peso corporal e recebeu bebidas nutricionais para ajudá-la a recuperá-lo, mas estas também foram confiscadas pelas autoridades, segundo o processo.
“A bebê Amalia nunca deveria ter sido detida. Ela quase morreu em Dilley”, disse Elora Mukherjee, advogada da família.
Mukherjee disse que centenas de crianças e famílias detidas no centro de detenção no Texas não têm água potável suficiente, alimentação saudável, oportunidades educacionais ou atendimento médico adequado, e deveriam ser liberadas.
Amalia e os pais vivem nos Estados Unidos desde 2024, de acordo com o processo. A ação afirma que os três pretendem solicitar asilo.
A porta-voz do Departamento de Segurança Interna disse que a criança recebeu atendimento médico imediatamente após ficar doente, foi internada em um hospital para tratamento e retornou à instalação de Dilley após receber alta de um pediatra. Amalia foi alojada na unidade médica após seu retorno e recebeu tratamento adequado e medicamentos prescritos, afirmou na declaração.
“É uma prática de longa data fornecer atendimento médico abrangente desde o momento em que um estrangeiro entra sob custódia do ICE. Isso inclui triagem médica, odontológica e de saúde mental dentro de 12 horas após a chegada a cada instalação de detenção, uma avaliação completa de saúde dentro de 14 dias após entrar sob custódia do ICE ou chegada a uma instalação, e acesso a consultas médicas e atendimento de emergência 24 horas”, disse McLaughlin.
O governo Trump tem sido acusado de aplicar táticas truculentas e desumanas contra imigrantes, e de violar ordens judiciais ao executar seu programa de deportação em massa.
Um juiz federal em Michigan criticou o governo em uma decisão de 31 de janeiro ordenando a liberação de Liam Conejo Ramos, 5, um menino equatoriano fotografado sendo detido por agentes federais usando um gorro azul de coelho e uma mochila do Homem-Aranha. O governo agora busca deportar o menino.
Autor: Folha








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