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Fed está muito dividido sobre cortar juros em dezembro – 20/11/2025 – Mercado

Integrantes do comitê de política monetária do Fed (Federal Reserve) expressaram “opiniões fortemente divergentes” sobre a possibilidade de cortar os juros no mês que vem, segundo a ata da reunião de outubro do banco central dos Estados Unidos.

As autoridades do Fed estavam profundamente divididas sobre a necessidade de um terceiro corte de juros neste ano, de acordo com o registro da reunião mais recente, divulgado nesta quarta-feira (19), destacando a cisão crescente sobre o custo do crédito.

“Na discussão sobre o curso da política monetária no curto prazo, os participantes expressaram opiniões fortemente divergentes sobre qual decisão seria mais apropriada na reunião de dezembro do comitê”, diz a ata do Fomc (sigla em inglês para o comitê).

O documento evidencia o afastamento entre dirigentes do Fed, que têm se dividido quanto ao ritmo e à magnitude dos cortes ao longo do ano, num contexto de inflação em alta gradual e mercado de trabalho enfraquecido.

A decisão será ainda mais difícil após o Bureau of Labor Statistics (agência de estatísticas do Departamento do Trabalho) informar nesta quarta-feira (19) que não divulgará o relatório de empregos de outubro porque não conseguiu coletar dados durante o shutdown.

Embora o relatório de setembro saia nesta semana, os dirigentes do Fed só terão acesso a dados mais recentes após a reunião de 9 e 10 de dezembro. Informações parciais sobre o mercado de trabalho de outubro serão incorporadas ao relatório de novembro.

Em outubro, o Fomc reduziu os juros em 0,25 ponto percentual pela segunda vez no ano. Mas a votação apresentou uma rara divisão em três frentes: Stephen Miran, aliado do presidente Donald Trump, apoiou um corte de 0,50 ponto, enquanto Jeff Schmid, presidente do Fed de Kansas City, defendeu manter a taxa inalterada.

O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou em coletiva após a reunião que o desfecho de dezembro não era “conclusão prévia”.

A ata mostrou que “a maioria dos participantes avaliou que novos ajustes para baixo na taxa básica provavelmente seriam apropriados”, mas “vários desses participantes” indicaram sentir que dezembro talvez fosse cedo demais para mais um corte.

“Diversos” membros disseram que apoiariam um corte em dezembro “se a economia evoluísse conforme esperavam ao longo do período entre reuniões”, enquanto “muitos” sugeriram que, “sob seus cenários econômicos, seria mais apropriado manter a taxa inalterada pelo restante do ano”.

Já havia crescentes dúvidas em Wall Street sobre se o Fed continuaria a reduzir o custo do crédito em sua próxima reunião.

A probabilidade de mais um corte de 0,25 ponto em dezembro caiu de quase certa para cerca de 30% ao longo do último mês, segundo dados do CME Group.

Os membros mais “hawkish”, como Schmid, Susan Collins (presidente do Fed de Boston) e o diretor Michael Barr, afirmaram que a inflação a 3% ainda está elevada, enquanto o crescimento econômico tem se mostrado surpreendentemente resiliente.

Mas integrantes mais “dovish” argumentam que a fraqueza do mercado de trabalho justifica mais um corte. Christopher Waller, principal candidato interno para assumir a presidência do Fed no ano que vem, disse na segunda-feira (17) que o mercado de trabalho está “ainda fraco e próximo da estagnação”.

A decisão do Fed ficou mais complicada pelo recente fechamento do governo, que atrasou a divulgação de relatórios essenciais para avaliar a situação da economia, levando alguns dirigentes a defenderem uma postura mais cautelosa até que o cenário fique mais claro.

Na reunião de outubro, vários dirigentes expressaram preocupação com a “capacidade de avaliar com precisão as condições econômicas” devido à falta de dados do governo federal.

Outros demonstraram menos preocupação, observando que “diversos indicadores públicos e privados” continuam a “fornecer sinais úteis sobre as condições econômicas”.

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