O COI (Comitê Olímpico Internacional) autorizou nesta terça-feira (10) o porta-bandeira da Ucrânia nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina a usar uma braçadeira preta, depois que ele foi impedido de utilizar um capacete que mostrava fotos de atletas de seu país mortos durante a invasão russa.
“Consideramos que é um bom compromisso”, explicou à imprensa Mark Adams, porta-voz do COI, lembrando que a organização proíbe qualquer manifestação política durante as competições olímpicas ou as cerimônias.
Vladislav Heraskevich, atleta do skeleton, participou na segunda-feira (9) de uma sessão de treinamento em Cortina D’Ampezzo com um capacete cinza com imagens serigrafadas de vários compatriotas atletas que morreram na guerra, antes de ser proibido de utilizar o equipamento.
“Esta decisão parte o meu coração. Sinto que o COI está traindo os atletas que fizeram parte do movimento olímpico ao não permitir que eles sejam homenageados onde nunca mais poderão competir”, escreveu no Instagram, antes de receber o apoio público do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.
Segundo o presidente ucraniano, Heraskevich “lembrou para o mundo o preço de nossa luta. Esta verdade não pode ser considerada vergonhosa, inapropriada nem ser classificada como uma ‘manifestação política em um evento esportivo'”.
“Seu capacete tem os retratos de nossos atletas mortos pela Rússia. O patinador artístico Dmytro Sharpar, caído em combate perto de Bakhmut; Yevhen Malyshev, biatleta de 19 anos, morto pelos ocupantes perto de Kharkiv; e outros atletas ucranianos cujas vidas foram ceifadas pela guerra travada pela Rússia”, ressaltou Zelensky no Telegram.
O COI confirmou nesta terça-feira a proibição, porque o capacete “contraria” o artigo 50 da Carta Olímpica, que procura evitar “todo o tipo de interferência”, especialmente “política” ou “religiosa”, para que “todos os atletas possam concentrar-se no seu desempenho”.
A entidade olímpica manteve na segunda-feira “uma reunião informal” com o treinador de Vladislav Heraskevich “e com sua equipe”.
“Reafirmamos que, neste caso, como fazemos cada vez mais, abriremos uma exceção a estas diretrizes para permitir que ele utilize uma braçadeira preta durante a competição, para que possa fazer esta homenagem”, declarou Mark Adams.
O atleta continua livre para expressar sua opinião como desejar “nas entrevistas coletivas e na saída da competição, na zona mista”, assim como nas redes sociais, lembrou o porta-voz do COI.
Citando precedentes “nos quais o COI autorizou homenagens do tipo”, Heraskevich anunciou que vai recorrer da decisão. “Estamos preparando uma apelação formal perante o COI e vamos lutar para poder competir com este capacete”, frisou.
Em uma entrevista à AFP pouco antes do início dos Jogos Olímpicos, Heraskevich afirmou que era “uma grande honra e uma grande responsabilidade” ser um dos porta-bandeiras do país na cerimônia de abertura.
A presença numerosa do país em Milão-Cortina é “um símbolo muito forte para a Ucrânia”. A delegação ucraniana nos Jogos de Milão-Cortina é composta por 46 atletas.
“Continuamos fortes e continuamos aqui, entre as melhores nações, apesar da guerra em nosso país”, declarou. A prova de skeleton masculina começará na quinta-feira.
Treze atletas russos competem usando bandeira neutra, uma sanção imposta pelo COI após a invasão da Ucrânia pela Rússia poucas semanas depois dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022.
Autor: Folha








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