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Melhor é ter dois meias com função de camisa 10 – 10/02/2026 – Tostão

O Corinthians, na derrota para o Palmeiras por 1 x 0, teve o domínio do jogo, mas criou poucas chances claras de gols e ainda perdeu um pênalti —que não existiu. Escutei, um milhão de vezes, que o Palmeiras não jogou bem, porém foi mais eficiente.

Ainda não entendi o que explica um time ser pior e mais eficiente. Seria Memphis Depay escorregar ao bater o pênalti por causa, provavelmente, da malandragem de Andreas Pereira, que cavou um buraco no local da cobrança? Pode-se ganhar ou perder de variadas maneiras. Basta um sopro, uma infração para mudar a história de uma partida.

O Palmeiras atuou como faz sempre. Com um primeiro volante, como gostam de dizer, mais marcador, camisa 5, Marlon; um segundo volante, camisa 8, Andreas Pereira; um meia ofensivo, Maurício, camisa 10, que joga entre o meio-campo e o ataque. Há várias maneiras de jogar bem e/ou de vencer.

Essa é uma formação usada por quase todos os times brasileiros e também pela seleção, que nos últimos jogos atuou com Casemiro e Bruno Guimarães de volantes e Matheus Cunha como um meia avançado, entre o meio-campo e o ataque.

Prefiro a formação usada hoje por grandes times e seleções do mundo, com um meio-campista centralizado, que inicia as jogadas ofensivas, e mais um meio-campista de cada lado, que atuam de uma intermediaria à outra, que marcam, constroem e atacam. São dois com função de camisa 10, em vez de um. Além disso, a equipe marca com três jogadores no meio-campo em vez de dois.

As equipes que formam um trio no meio-campo possuem particularidades. A Argentina, campeã do mundo, tem sempre um trio no meio e mais o Messi entre os três e o centroavante. Nesse esquema tático, só há um ponta, que volta também para marcar, formando um quarteto no meio para proteger os quatro defensores. Com isso, Messi joga livre, sem função de marcação.

Outros times e seleções preferem ter um trio no meio-campo e outro no ataque, formado por dois pontas e um centroavante. Os dois pontas costumam voltar para marcar, formando um quinteto no meio na proteção dos quatro defensores. As equipes defendem e avançam em bloco. A compactação é fundamental para que isso aconteça.

As seleções da Espanha, da França e de Portugal, fortes candidatas ao título mundial por causa do talento individual e coletivo, alternam os detalhes táticos durante as partidas, atuando em certos momentos com dois volantes e um meia ofensivo e em outros com um trio no meio-campo, além de terem dois pontas e um centroavante.

Alguns times brasileiros estão fugindo do tradicional esquema com dois volantes e um meia ofensivo. O Bahia forma um trio no meio-campo. Os três marcam, trocam muitos passes e avançam, alternadamente. No Fluminense, Martinelli é um meio-campista que joga de uma intermediaria à outra.

Alguns leitores falam que gostam mais de ler as minhas colunas quando tento explicar os detalhes estratégicos das equipes, enquanto outros preferem as minhas divagações e filosofias de botequim. No meu mundo ideal, gostaria de ver o jogo com o olhar de um poeta, para valorizar mais o espetáculo, mas, no meu mundo real, preciso ser pragmático e analisar os detalhes técnicos e táticos.

Tento unir os dois mundos. Nem sempre funciona. Os dois se estranham.

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Autor: Folha

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