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Um problema que poucos veem e menos ainda querem resolver: a arborização urbana – 12/01/2026 – No Corre

O desmatamento da amazônia é uma tragédia, também por ser consequência de uma decisão econômica estúpida, e pode atingir proporções catastróficas se a floresta virar savana.

Mas, a despeito de sua influência capital no regime de chuvas do país, para a maior parte dos brasileiros a amazônia é uma abstração, e seu futuro é largamente desdenhado. Apenas 13% da população brasileira vive nos estados da Amazônia Legal, mas, mais importante, nove entre dez brasileiros habitam áreas urbanas, as cidades.

É por isso que discutir o aquecimento global também para os citadinos é urgente. Ciclones e outros eventos extremos são cada vez mais comuns, e suas consequências para cidades como São Paulo são tremendas.

Os planos mambembes de arborização e a incúria com que administrações municipais historicamente tratam as árvores existentes levam a uma perda crescente de cobertura vegetal. E dá-lhe ilhas de calor, tempestades ainda mais severas, menos proteção contra a poluição, a sonora inclusive, num ciclo vicioso a se retroalimentar.

Prefeituras sempre chegam atrasadas quando o tema emerge: a de São Paulo anunciou ano passado plano para diagnóstico de 650 mil árvores, recenseamento que não é levado a cabo há mais de dez anos.

No meio disso, poucas vozes tentam se fazer ouvir. Uma delas é a do botânico e paisagista Ricardo Cardim, um defensor de primeira hora do uso de espécies nativas nas vias públicas e em projetos privados, não apenas porque isso melhora dramaticamente os serviços ambientais prestados pelas árvores, mas pelo fato de o Brasil ser, de longe, o país mais biodiverso do mundo.

Há tempos Cardim clama por uma espécie de Embrapa, essa estatal de planejamento e desenvolvimento que tanto fez por nosso agro, para o paisagismo. Além disso, usa suas redes digitais para apresentar espécies nativas, ilustrando ali sua tese estranhamente solitária de que o país só tem a ganhar com sua disseminação.

Ele refuta o argumento corrente de seus colegas, de que não há escala de produção de espécies nativas no país.

Mas dá para dizer que seu principal cavalo de batalha nestes dias é a arborização pública. O atual estado de coisas o levou a alertar, em texto publicado nesta mesma Folha, em dezembro:

“(…) poderemos chegar, em breve, a quadros drásticos como eventos climáticos extremos em semanas consecutivas, seguidos da falência da capacidade do sistema de reparação elétrica, levando a dezenas de dias sem energia elétrica e todas as suas consequências caóticas”.

No texto, aponta antídotos: “Temos que plantar de forma técnica-científica milhões de árvores nativas de médio e grande porte, sombrear todo o asfalto, colocar legalmente calçadas e arborização viária como responsabilidade única e exclusiva do município, plantar entre vagas de veículos como já feito em Paris e Berlim e pulverizar florestas nativas nos bairros (…)”.

Qualquer pessoa que corre, caminha ou passeia com cachorro sabe o quão mais agradável é estar em áreas arborizadas, especialmente no verão. Em janeiro em São Paulo, o cheiro do alfeneiro, comuníssimo pela cidade, é deliciosamente marcante. Como tantas outras espécies utilizadas aqui, é exótica: veio da Ásia e da costa do Mediterrâneo.

Não contem para o Cardim.

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Autor: Folha

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