José Eudes Biserra era um homem de muitos apelidos. Era Jacó em Jundiaí, onde tinha um sítio; Barba no bairro onde morava em São Paulo, e Belinho no QG da Lapa, bar que frequentava diariamente.
Extrovertido, ele gostava de cantar e dançar, características que chamaram a atenção da companheira Judith Mader Elazari, 79, com quem passou 41 anos de sua vida.
Eles se conheceram em 1984 na casa de samba Paulistano da Glória, na rua da Glória, no bairro da Liberdade, região central de São Paulo. Desde então, se converteu ao judaísmo, religião da mulher.
“Ele cantava e dançava muito bem. Sabia muitas músicas de cor”, lembra-se Judith. “Um homem excêntrico e de bom coração, era isso que me atraía.”
Em 1987 nasceu a filha única do casal, Lia Elazari Biserra, 38, integrante e fundadora da banda Fera Neném, que diz ter sido influenciada pelo tino musical do pai.
“Meu pai era um cara muito único, realmente único. Não passava despercebido”, diz Lia, que escreveu uma música em homenagem ao pai, a “Cantor de Nascimento”, que ela já apresentou em três oportunidades. Em uma delas, ele estava presente e, emocionado, cantou junto a parte final da canção.
Em outra ocasião, a pedido da filha, ele gravou a música “Motivo”, poema de Cecília Meireles musicado pelo cantor Fagner.
José Eudes nasceu em 10 de outubro de 1957 em Barra de São Miguel, na Paraíba e cresceu em Vitorino Freire, no Maranhão, para onde a família de 11 irmãos se mudou.
Curiosamente, por erro do cartório, José Eudes foi registrado com o sobrenome Biserra, enquanto o restante da família é Bezerra.
Quando completou 16 anos, ele viajou sozinho para São Paulo para ficar com dois irmãos mais velhos que já moravam na cidade. Durante muitos anos, residiu em diferentes pensões.
Nesse período, vendeu sapatos com o irmão Sales. Eles iam de carro a feiras em toda a região Sudeste para comercializar os produtos. Também trabalhou com couro e aprendeu a costurar. “Ele era muito prendado e habilidoso”, diz Judith.
Nos últimos 30 anos, trabalhou como motorista da Prefeitura de São Paulo, atuando em setores diferentes, como nas subprefeituras da Sé e de Pirituba e na Secretaria de Cultura. Ele se aposentou no fim do ano passado.
Durante muito tempo, ele ia rotineiramente ao sítio que comprou em Jundiaí, a 50 km da capital, onde ajudava o caseiro a cuidar das vacas, cabritos e galinhas.
No dia a dia, fumava bastante e gostava de beber Velho Barreiro com limão com os amigos no bar.
Outro hobby era assistir a jogos de futebol pela televisão, principalmente, do Santos e do Sampaio Corrêa, seus times do coração.
José Eudes morreu no dia 8 de fevereiro, aos 68 anos. Ele deixa a mulher e a filha.
Autor: Folha








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