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PF detalha ligações entre Toffoli e Vorcaro e conversas sobre repasses de resort

O relatório da Polícia Federal sobre o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, com o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta telefonemas entre eles, convite para uma festa de aniversário e conversas sobre pagamentos relacionados ao resort Tayayá, da família do magistrado, de acordo com uma apuração do jornal O Globo publicada nesta quinta (12).

O documento de cerca de 200 páginas, que está sob sigilo, foi entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin, que já pediu explicações a Toffoli e decidirá sobre a possível suspeição do magistrado na relatoria do caso, aprofundando ainda mais a crise após decisões controversas tomadas por ele.

Toffoli classificou as informações apuradas pela Polícia Federal como “ilações” e que a corporação não tem poder de pedir seu afastamento “nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil”.

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O relatório sobre as conversas extraídas dos cinco celulares de Vorcaro foi entregue pessoalmente pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a Fachin. O documento não pede de forma expressa o afastamento do ministro, mas apresenta elementos que, na avaliação dos investigadores, indicariam incompatibilidade para que ele siga conduzindo a relatoria do caso na Corte.

Entre os pontos destacados estão diálogos sobre o resort Tayayá e tratativas envolvendo a empresa Maridt, proprietária do empreendimento, que em 2021 vendeu participação a um fundo administrado por familiares de Vorcaro. O próprio ministro admite a interlocutores ouvidos pelo jornal ter recebido valores da empresa, afirmando que os repasses seriam regulares por também ser sócio da companhia ao lado dos irmãos José Carlos e José Eugênio.

Até então, no entanto, não havia informação pública de que o magistrado fosse sócio direto da Maridt. A transação entre a empresa ligada aos Toffoli e o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como um de seus principais operadores, é tratada como um dos eixos centrais da apuração, sendo o resort tema recorrente nas conversas.

Pressão para deixar o caso

A pressão sobre o ministro aumentou após decisões tomadas que geraram críticas dentro da própria Polícia Federal. Toffoli assumiu a relatoria após pedido da defesa de Vorcaro para levar o processo ao STF, citando menção ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem foro privilegiado.

No mesmo dia em que determinou o sigilo da investigação, o ministro viajou ao Peru em aeronave de empresário e de um advogado do Master para acompanhar a final da Libertadores. Depois, centralizou no Supremo a custódia das provas e as oitivas, determinou acareação antes de depoimentos e elaborou perguntas próprias aos investigados, procedimento considerado incomum.

Inicialmente, também restringiu o acesso da Polícia Federal a materiais apreendidos, recuando em seguida para permitir atuação do Ministério Público Federal (MPF) e perícia limitada a quatro agentes. Por fim, reduziu prazos para depoimentos e cobrou novo cronograma, medida vista por integrantes da corporação como exígua.

Autor: Gazeta do Povo

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