
A escolha do ministro André Mendonça como novo relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal foi recebida com apreensão por integrantes da Corte e por pessoas citadas na investigação, segundo fontes que acompanham de perto os bastidores do tribunal. Interlocutores apontam que o nome de Mendonça é considerado especialmente desfavorável para os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A principal referência citada por advogados e investigadores para antecipar a atuação de Mendonça no caso Master é sua condução no inquérito que apura as fraudes no INSS, apontado como um dos maiores escândalos recentes da República. Nesse processo, Mendonça consolidou a imagem de magistrado rigoroso e pouco disposto a flexibilizar medidas cautelares.
Segundo advogados que atuam no caso do INSS, Mendonça mantém preso desde setembro o principal apontado como lobista do esquema, conhecido como “Careca do INSS”, e, desde dezembro, também determinou a prisão de seu filho, Romeu. Interlocutores próximos ao ministro afirmam que ele busca avançar para uma delação premiada de um dos dois, estratégia considerada central para aprofundar as investigações.
De acordo com investigadores, as mensagens apreendidas no inquérito do INSS mencionam um destinatário de pagamentos identificado como “o filho do homem”, interpretação que, na avaliação de parte da apuração, poderia se referir a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse contexto reforçou a percepção de que Mendonça tende a avançar sobre núcleos sensíveis das investigações.
No caso Master, a expectativa entre investigadores é de que o ministro adote linha semelhante. Há a avaliação de que Mendonça pode buscar uma delação premiada do próprio Daniel Vorcaro, nos moldes do que vem sendo tentado no inquérito do INSS. Entre interlocutores do Judiciário, não é descartada, inclusive, a possibilidade de novas medidas restritivas contra o banqueiro, como eventual retorno à prisão.
Fontes próximas ao caso também afirmam que Mendonça não deve poupar a análise das relações mantidas por Toffoli e Alexandre de Moraes, bem como por familiares de ambos, com Vorcaro, quesito que passou a ter relevância após a perícia em mensagens extraídas de aparelhos apreendidos pela Polícia Federal.
Além do impacto jurídico, a escolha de Mendonça ocorre em meio a um histórico de atritos internos no Supremo. Em agosto de 2025, durante um evento público, o ministro criticou o que classificou como ativismo judicial. Horas depois, no mesmo encontro, Alexandre de Moraes rebateu a fala, defendendo que o ativismo seria necessário para conter avanços autoritários, em referência indireta ao governo Jair Bolsonaro, responsável pela indicação de Mendonça à Corte.
Já em novembro de 2025, um novo ponto de tensão veio à tona durante uma sessão do STF, desta vez envolvendo Dias Toffoli. Em meio a divergências, Toffoli afirmou: “Eu fico exaltado com covardia”, pouco antes de Mendonça encerrar seu voto, episódio que foi interpretado por ministros como um desentendimento direto entre ambos.








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