No último domingo (8), o Santos poderia ter vencido o Noroeste, em Bauru, com certa tranquilidade, por um placar elástico. No entanto, preferiu dar emoção ao jogo até o final, em uma tentativa clara de gerar entretenimento a uma tarde de domingo sonolenta.
Se falta qualidade técnica e consistência defensiva ao time, sobra uma capacidade ímpar de transformar qualquer investida do adversário em uma loucura digna de bloquinho de rua. Uma eventual vaga na próxima fase será surpreendente, já que o Santos parece ter feito de tudo para tropeçar novamente e ser eliminado precocemente do Campeonato Estadual.
Ainda assim, com a vitória por 2 a 1 em Bauru, não se sabe como, o Santos afastou qualquer risco de rebaixamento no Paulistão e tem chances de classificação para a próxima fase, dependendo apenas de uma vitória simples contra o Velo Clube, além de uma combinação, bastante provável, de resultados na última rodada.
Diante do Noroeste, o Santos até iniciou bem a partida, trocando passes e abrindo o placar com um gol chorado de Escobar. Em seguida, Gabigol chegou a ampliar após assistência de Rony, mas o lance foi anulado por impedimento. Na sequência, o Noroeste empatou em cobrança de escanteio. Rony, um dos melhores em campo, recolocou o Santos em vantagem após belo lançamento de Gabriel Bontempo para Igor Vinicius. 2 a 1.
No final do primeiro tempo, a expulsão de Thiago Lopes, do Noroeste, deixou o jogo ainda mais favorável ao Santos. Na teoria, é claro. Imaginei um jogo tranquilo, sem grandes sustos e com chances de melhorar o saldo de gols. Fui iludido com sucesso.
Jamais se deve duvidar da capacidade do Santos de transformar um jogo aparentemente controlado em um evento caótico e desesperador. O adversário, percebendo a fragilidade defensiva da equipe comandada por Vojvoda, sobretudo na bola aérea, abusou dos cruzamentos e levou a melhor pelo alto em praticamente todos os lances.
Gabriel Brazão fez ao menos duas ótimas defesas para evitar o empate no segundo tempo. O goleiro santista tem ótimo reflexo, mas precisa aprimorar a saída pelo alto nas bolas cruzadas, principalmente quando a defesa é formada por Zé Ivaldo e Luan Peres, dois zagueiros tão estáticos quanto inseguros.
Mesmo diante de tantos desfalques, de uma sequência complicada de jogos e de tanta pressão, o Santos poderia ter resolvido o jogo antes e evitado sofrimento desnecessário no final. Na ofensiva, Rony fez boa partida, demonstrando disposição, enquanto Gabigol e Rollheiser decepcionaram de novo. Thaciano e Lautaro também não entraram bem, o que não surpreende.
A urgência maior, está na defesa. Dos 12 gols sofridos pelo time na temporada até aqui, ao menos cinco tiveram origem em jogadas aéreas. Não se trata apenas de baixa estatura da equipe, mas de mau posicionamento e desatenção.
No lance de empate do Noroeste, Barreal não poderia ser o responsável pela marcação do zagueiro adversário. Algo estava errado. Vojvoda precisa encontrar soluções para o setor, nem a ausência de Willian Arão pode servir de justificativa para a incompetência defensiva da equipe.
De positivo, fica o resultado. O Santos voltou a vencer após sete partidas, segue vivo no Paulistão e recupera, ainda que timidamente, um pouco da confiança. “Tem que saber sofrer”, disse Vojvoda após a partida. Uma frase infeliz. O Santos não precisa aprender a sofrer. Precisa, simplesmente, parar.
Guilherme Rodrigues Simões é jornalista esportivo e escreve de Santos (SP).
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Autor: Folha








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