Em meio às tendas de deslocados em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, o baterista palestino H transforma baldes, peças de bicicleta e uma bandeja de chá em instrumentos musicais. Aos 24 anos, ele reúne crianças e famílias ao redor de sua bateria improvisada, criando intervalos de música em um cotidiano marcado pela escassez e pelo trauma da guerra.
Qassem diz que tocar é uma forma de extravasar a pressão psicológica da vida nos campos, onde o dia começa com a busca por água, passa pelas filas nas cozinhas comunitárias e termina na tentativa de garantir comida para a família. A música surge como respiro para ele e, sobretudo, para as crianças, que batem palmas, dançam e cantam diante de algo raro naquele território: entretenimento.
Deslocada pela guerra, a palestina Bushra al-Shafihi afirma que apresentações como essa oferecem um momento de brincadeira às crianças, algo que quase não existe mais nos acampamentos. Sem brinquedos, balões ou jogos, o som dos tambores improvisados vira uma forma simples de alegria compartilhada, diz ela.
Os instrumentos originais de Qassem ficaram foram destruídos em ataques de Israel durante a guerra contra o grupo terrorista Hamas. Com o cessar-fogo atualmente em vigor, ele tenta “fazer algo do nada” e retomar um talento antigo, recriando sons com objetos comuns. Sempre que se senta atrás da bateria caseira, ele conta, o acampamento se enche de ritmo e sorrisos, ainda que por poucos minutos.
Autor: Folha



















