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Fumar cannabis diminui desejo por álcool, aponta pesquisa – 28/11/2025 – Equilíbrio e Saúde

Inúmeros estudantes universitários já realizaram o experimento: o que acontece quando você mistura álcool e cannabis?

Mas poucos o fizeram em um laboratório, sob o olhar atento de cientistas, calibrando cuidadosamente sua respiração enquanto dão tragadas em maconha de qualidade para pesquisa.

Em um novo estudo, investigadores reuniram cerca de 150 adultos em um bar improvisado no campus da Universidade Brown para testar quanto as pessoas queriam beber depois de fumar cannabis. É um dos primeiros ensaios rigorosos a examinar como a maconha afeta o consumo de álcool.

“Este é basicamente um estudo muito cuidadoso e precisamente projetado sobre o ‘cross-fading'” [ficar simultaneamente bêbado e chapado], diz James MacKillop, diretor do Centro Michael G. DeGroote para Pesquisa de Cannabis Medicinal na Universidade McMaster e um dos autores do estudo.

Os pesquisadores descobriram que as pessoas bebiam consideravelmente menos depois de fumarem cannabis.

O novo artigo chega em um momento em que usar maconha e outras drogas, mas não álcool, tornou-se tendência. Os pesquisadores atribuem sua popularidade à crescente legalização e disponibilidade da cannabis em uma variedade de formas, incluindo comestíveis e bebidas pré-embalados, bem como a uma conscientização crescente sobre os danos à saúde causados pelo álcool.

“Estudamos drogas isoladamente com muita frequência”, diz Ryan Vandrey, professor de psiquiatria e ciências comportamentais da Johns Hopkins Medicine, que estuda cannabis e não esteve envolvido na nova pesquisa. Mas na realidade, diz ele, as pessoas comumente combinam álcool e cannabis.

“Não temos uma boa compreensão disso”, afirma. “E acho que precisamos.”

Os pesquisadores recrutaram 157 pessoas que usam regularmente tanto cannabis quanto álcool. O experimento ocorreu em três rodadas, separadas por dias. Durante uma sessão, os participantes fumaram baseados com uma concentração mais alta de THC, um composto psicoativo da cannabis. Em outra sessão, fumaram cannabis com menos THC, e em uma terceira, fumaram um baseado placebo.

O consumo de cannabis foi controlado; os participantes seguiram um “procedimento de tragadas cadenciadas” padronizado, ouvindo uma fita de áudio que os instruía sobre quando inalar e exalar.

Depois de fumarem, eles foram para um laboratório projetado para parecer um bar. O bar estava abastecido com as bebidas de preferência dos participantes. Os pesquisadores observaram através de um espelho bidirecional enquanto os participantes avaliavam se queriam uma bebida.

No dia em que fumaram a cannabis com maior teor de THC, os participantes beberam cerca de um terço menos do que no dia em que fumaram o placebo. Depois de fumarem a cannabis com menor teor de THC, consumiram cerca de vinte por cento menos álcool do que quando usaram o placebo.

Apesar das descobertas do estudo, é muito cedo para afirmar com certeza que a cannabis pode reduzir o consumo de álcool, diz Jane Metrik, professora de ciências comportamentais e sociais da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown e autora principal do artigo.

E como o estudo foi tão controlado, os resultados podem não se traduzir perfeitamente para a vida cotidiana. Produtos populares de maconha geralmente contêm muito mais THC do que mesmo a dose mais alta usada no ensaio, diz Johannes Thrul, professor associado da Escola de Saúde Pública Bloomberg da Johns Hopkins, que não esteve envolvido no ensaio. Como em muitos estudos, os cientistas obtiveram cannabis de um fornecimento nacional especificamente usado para pesquisa.

À medida que cannabis mais potente chega ao mercado, os pesquisadores estão ansiosos por mais dados sobre como a droga pode interagir com o álcool. Ainda há muitas incógnitas sobre os efeitos combinados na saúde tanto do álcool quanto da maconha: como as substâncias funcionam em conjunto no corpo; como diferentes compostos de cannabis se misturam com álcool; e se fumar, comer ou beber maconha muda como ela interage com o álcool.

“No final das contas, terão que ser esses estudos de laboratório realmente bem controlados e depois as evidências do mundo real se unindo para formar o quadro completo”, diz Thrul. “Porque nenhum desses estudos pode responder a essas perguntas sozinho.”

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