sábado, novembro 29, 2025

Estado premia iniciativas que promovem pesquisa, inovação e impacto social no Paraná

O Governo do Estado entregou nesta sexta-feira (28), em Curitiba, o 38º Prêmio Paranaense de Ciência e Tecnologia, que valoriza a pesquisa, extensão, inovação e divulgação científica em diferentes áreas do conhecimento. Em 2025, a premiação contemplou projetos de Ciências da Saúde e Ciências Exatas e da Terra. O evento reuniu autoridades, pesquisadores e estudantes de diferentes regiões do Estado, como uma das principais ações de valorização da produção científica em nível local e regional.

Coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), o prêmio recebeu nesta edição 117 inscrições, das quais 95 foram homologadas. No total, são R$ 228,35 mil distribuídos entre dez vencedores em cinco categorias, com recursos do Fundo Paraná, uma dotação constitucional voltada ao fomento científico e tecnológico. Somando R$ 170 mil, as modalidades Pesquisador, Extensionista e Estudante de Graduação recebem um destaque especial pelo caráter acadêmico e a relevância dos trabalhos inscritos.

Para o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, a premiação reafirma o compromisso do Estado em valorizar quem impulsiona a produção científica. “O prêmio destaca o empenho de profissionais que se dedicam a fazer e divulgar ciência e que, com seu trabalho, transformam conhecimento em desenvolvimento econômico e social”, afirma o secretário. “É a maior honraria concedida pelo Governo do Paraná aos cientistas e inovadores que criam, inventam e geram soluções a partir da pesquisa realizada no Estado”.

SAÚDE PÚBLICA – Na área das Ciências da Saúde, foram contempladas iniciativas com grande potencial social e científico. Márcio Lourenço Rodrigues, do Instituto Carlos Chagas (ICC), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Paraná, venceu na categoria Pesquisador com um estudo sobre estruturas microscópicas que estão envolvidas no processo de infecção causado por fungos em humanos. A compreensão desse processo é fundamental para desenvolver medicamentos e vacinas.

Doutor em Microbiologia, Márcio Rodrigues destaca a importância de fortalecer continuamente a ciência para responder aos desafios da saúde pública. “A ciência e a saúde avançam de maneira integrada, pois novas doenças surgem com frequência, e por isso é fundamental manter uma comunidade científica ativa e bem estruturada que produza conhecimento de forma contínua, ampliando a capacidade de resposta a emergências, reforçando a relevância do investimento público e estimulando a sociedade a reconhecer o valor da pesquisa”, diz.

A professora Flávia Evelin Bandeira Lima Valério, da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), conquistou a premiação na categoria Extensionista, com um projeto que desenvolve aulas esportivas gratuitas para estudantes de escolas públicas. A iniciativa já beneficiou mais de 600 crianças e adolescentes de Jacarezinho, no Norte Pioneiro. Na categoria Estudante de Graduação, o vencedor foi Fernando Miguel Stelmach Alves, do curso de Farmácia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com um artigo sobre um formato de curativo desenvolvido com ingredientes naturais e propriedades cicatrizantes.

O enfermeiro Cristiano Walter de Farias, de Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná, foi premiado como Inventor Independente com o aplicativo Enfermeiro de Bolso, uma ferramenta de apoio a profissionais da área da saúde que já ultrapassou 40 mil usuários. Na categoria Jornalismo Científico, o destaque foi para Niomar Pereira, de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Estado. Ele venceu com uma reportagem publicada no Jornal de Beltrão sobre pesquisas desenvolvidas na Unioeste que investigam a relação entre agrotóxicos e câncer de mama.

IMPACTO TECNOLÓGICO – Na área de Ciências Exatas e da Terra, o professor Aldo José Gorgatti Zarbin, da UFPR, em Curitiba, venceu na categoria Pesquisador com um projeto de baterias recarregáveis de sódio que utilizam água em vez de produtos químicos inflamáveis. A inovação torna o desenvolvimento desse tipo de bateria mais seguro, barato e ecológico, com potencial de uso em setores estratégicos, como energia renovável e veículos elétricos, o que representa um importante avanço para o armazenamento energético sustentável.

Na modalidade Extensionista, a professora Linnyer Beatrys Ruiz Aylon, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Noroeste, foi premiada pelo desenvolvimento do projeto Manna Team, que promove a inclusão digital e oferece formação prática em programação, internet das coisas e inteligência artificial para jovens e adultos. A iniciativa busca democratizar o acesso às chamadas tecnologias exponenciais, capacitando jovens e adultos para desenvolver habilidades essenciais para o mercado de trabalho, usando ferramentas inovadoras. 

Com Doutorado em Ciências da Computação, o reitor Miguel Sanches Neto destaca o papel transformador da ciência na sociedade. “A ciência forma gerações comprometidas com o bem-estar e o avanço social, e por isso é importante contar com políticas públicas que valorizem a produção de conhecimento, pois elas impulsionam o desenvolvimento econômico e social, especialmente no Paraná, onde esse movimento tem se intensificado com investimentos governamentais e iniciativas que colocam o poder público na liderança dessa agenda”, salienta.

Na categoria Estudante de Graduação, o vencedor foi Gustavo Henrique Bruno dos Santos, aluno do curso de Engenharia da Computação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Curitiba. O acadêmico desenvolveu uma pesquisa que analisa dados de plataformas digitais de localização para entender como as pessoas utilizam a cidade, auxiliando no planejamento urbano e na recomendação de lugares de acordo com os hábitos da população.

Como Inventor Independente dessa categoria, o premiado foi Gustavo Camargo Domingues, concluinte do curso de Ciência da Computação da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), câmpus de Foz do Iguaçu. Ele desenvolveu um assistente de inteligência artificial em formato de crachá para pessoas com deficiência visual, que capta imagens do ambiente e auxilia em atividades cotidianas, como identificar degraus, ler placas e reconhecer produtos. O dispositivo transforma o ambiente visual em descrições de áudio claras e imediatas.

Com uma reportagem que aborda os impactos da inteligência artificial e da computação quântica, Celso Felizardo, de Londrina, na região Norte, venceu a premiação em Jornalismo Científico. A matéria, publicada no jornal Folha de Londrina, destaca a importância das ciências exatas fazendo um paralelo entre a teoria aprendida em sala de aula e as aplicações tecnológicas atuais.

HOMENAGEM – A solenidade também prestou uma homenagem in memorian para a professora Sueli Edi Rufini, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que construiu uma trajetória marcante no fortalecimento do Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná. Ela atuou na Seti entre 2011 e 2016, período em que esteve diretamente envolvida na organização do Prêmio Paranaense de Ciência e Tecnologia. Suas três filhas receberam, em nome da família, a homenagem simbólica do Governo do Estado.

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