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Tarcísio diz não se opor a prisão perpétua no Brasil – 28/11/2025 – Poder


O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta quinta-feira (27) leis mais duras contra o crime e disse não se opor à instituição da pena de prisão perpétua no Brasil.

“A mudança de legislação é bem-vinda. É necessária. Eu defendo algumas mudanças que sejam até radicais. Que a gente comece a realmente enfrentar o crime com a dureza que o crime merece enfrentado. Eu não acho, por exemplo, nenhum absurdo ter a prisão perpétua no Brasil”, afirmou Tarcísio em evento da XP Asset Management.

O governador citou como exemplo a gestão de Nayib Bukele em El Salvador. “Temos que aproveitar para repassar aquilo que a gente está fazendo. Mal comparando, vemos o que o Bukele fez em El Salvador: o que era e o que é.”

O presidente salvadorenho obteve redução da taxa de homídios no país sob a bandeira de combate ao crime organizado, mas o processo veio acompanhado de prisões em massa, críticas por desrespeito ao devido processo legal e denúncias de tortura e mortes de detentos.

A declaração foi dada em um momento de antecipação do debate sobre a segurança pública com vistas às eleições de 2026. Tarcísio se diz candidato à reeleição em São Paulo, mas é cotado para a disputa presidencial para herdar o espólio de seu padrinho político, Jair Bolsonaro (PL), condenado e preso pela trama golpista.

O ex-presidente, de quem Tarcísio foi ministro, foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado.

O governador de São Paulo disse que é preciso calma, que a “grande liderança da direita [está] passando por um processo e isolamento” e que Bolsonaro terá um papel relevante na organização do campo para 2026.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), um dos filhos do ex-presidente, admitiu pela primeira vez que pode apoiar Tarcísio à Presidência, mas apenas por se tratar de um voto anti-Lula.

“Sempre disse que onde o PT estiver eu estarei do outro lado, que se for o Macaco Tião contra Lula eu prefiro o Macaco Tião”, escreveu Eduardo no X, ex-Twitter, nesta sexta. Em entrevista ao UOL, o deputado afirmou que “se o Tarcísio for este candidato, a gente vai acabar falando, sim, de Tarcísio de Freitas”.

Eduardo já havia sido cotado como possível presidenciável no lugar do pai e vinha promovendo ataques ao governador enquanto Tarcísio ganhava terreno entre a direita e o centro para se lançar presidente. O deputado acrescentou que o governador não é de direita e que “deveria recusar a candidatura”.

“Mas não conte comigo para esconder a pretensão de quem tiraria proveito da tortura feita contra meu pai, ou qualquer inocente. Tarcísio é o candidato que o sistema quer e eu sempre serei claro e verdadeiro com meus eleitores e apoiadores”, afirmou ele no X.

Segurança na mira

A área da segurança pública se tornou alvo de embates políticos após a megaoperação que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro ao fim de outubro.

O deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que se afastou do comando da Segurança Pública do governo Tarcísio para ser relator do PL Antifacção, foi alvo de desgaste nas últimas semanas com uma série de propostas que incomodaram inclusive setores da direita. Após críticas à fragilidade técnica das ideias iniciais e da postura adotada durante as negociações, foram feitas mudanças e houve a aprovação na Câmara.

A violência costuma ser identificada em pesquisas como uma das principais preocupações dos eleitores.

A cientista política Juliana Fratini, doutora pela PUC-SP, observou que a fala de Tarcísio sobre prisão perpétua é oportuna no contexto eleitoral, sobretudo após o Datafolha mostrar que a maioria da população do Rio aprovou a ação policial.

“Tarcísio se coloca como uma oposição mais acentuada a Lula a respeito dos procedimentos e políticas de segurança, haja vista que Lula se coloca contrário à violência policial, o que dá margem para que os eleitores interpretem que o atual presidente seja favorável aos bandidos”, disse ela à reportagem.

A declaração de Tarcísio foi elogiada pelo senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP e um dos entusiastas de eventual candidatura do governador ao Palácio do Planalto. “Concordo totalmente. A sociedade não pode mais ficar gastando com julgamentos de crimes de bandidos que não têm recuperação”, disse ele nas redes sociais.

Já o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), integrante da base do governo Lula (PT), disse que a questão da prisão perpétua não pode ser alterada nem mesmo por emenda constitucional por se tratar de uma cláusula pétrea –ou seja, imutável– da Constituição. “Se Tarcísio falou isso, mostrou mais uma vez seu despreparo para governar o Brasil”, afirmou nas redes.

Como mostrou a Folha, a infiltração do crime organizado em setores da economia também preocupa investidores, empresários, gestores de fundos e economistas.

Lideranças do União Brasil reunidas na noite de quinta-feira (27), em Curitiba, indicaram que vão colocar a segurança pública no centro do debate nas eleições de 2026, apostando no desgaste do governo federal na área. No PT, o tema também preocupa os quadros internos, que já debatem internamente como fazer uma disputa de narrativas com o campo da direita no próximo ano.



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