Alunos do Colégio Estadual Túlio de França, em União da Vitória, região Sul do Paraná, foram vice-campeões da 19ª Olimpíada Brasileira de Foguetes (Obafog). A competição é realizada anualmente pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), e nesta edição acontece em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro. Participam alunos do 4º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, tanto no território brasileiro quanto no Exterior (em escolas de língua portuguesa).
A iniciativa estimula o interesse dos estudantes pela astronomia, astronáutica e áreas correlatas por meio da construção e lançamento de foguetes experimentais, geralmente confeccionados com materiais simples, como garrafas PET.
Classificados como Nível 3 (categoria para estudantes do 5º ao 9º ano do ensino fundamental) os foguetes construídos pela equipe do Paraná e lançados na Obafog atingiram as marcas de 165 m, 128 m e 179 m de distância (entre a base de lançamento e o ponto onde aterrissaram), garantindo aos alunos do CE Túlio de França, o título de vice-campeões da Turma 13 na Olimpíada.
“A educação do Paraná se destaca não só nas avaliações tradicionais. Nosso ensino tem grande ênfase no desenvolvimento científico, o que garante o protagonismo de nossos alunos nesse tipo de competição”, afirma o secretário estadual da Educação, Roni Miranda.
Iniciada em agosto, a Obafog 2025 segue até dezembro, pois a competição é realizada por semanas, devido ao grande número de inscritos. Os paranaenses disputaram na 13ª semana, entre os dias 10 e 13 de novembro, período que envolveu estudantes de 51 instituições de ensino de outros 17 estados.
O CE Túlio de França contou com equipes formadas por alunos do 9º ano do Ensino Fundamental – Arthur da Silva Pinto, Cauã Franco de Paula, Isis Gabriella do Prado, João Vicente Guth, Letícia Vitória Donato Martins, Pâmela Pietra Caldas; e 9º ano B: Anderson Veloso Pereira, Bruno Lucas Milczuk e Luis Gusttavo De Andrade Metelski.
Durante os quatro dias de evento, os estudantes tiveram a oportunidade de socializar e participar de diversas atividades. A agenda cheia incluiu oficinas e palestras, além de muita interação com alunos das cinco regiões do país e, é claro, do lançamento dos foguetes como parte da competição.
PARA A OLIMPÍADA E ALÉM – Tudo começou em fevereiro deste ano, quando o professor Celso Marczal – que além de ministrar as disciplinas de Matemática e Projeto de Vida, atua como coordenador da área de ciências no colégio – propôs aos alunos dos Ensinos Fundamental e Médio a participação na olimpíada.
“As equipes receberam as instruções iniciais sobre como deveriam construir seus foguetes”, conta o professor. Os artefatos são compostos por três partes, construídas a partir de garrafas pet: a ogiva, ou ponta, responsável pelo centro de gravidade e equilíbrio do foguete; o corpo, onde vai a água usada para o lançamento; e as aletas, ou asas, que conferem estabilidade e aerodinâmica ao foguete.
A propulsão é feita com o uso de ar comprimido bombeado para dentro do foguete, já fixo em uma base, com o uso de uma bomba de encher pneu de bicicleta. Uma vez atingida a pressão interna necessária para a propulsão, geralmente entre 120 e 200 psi (libra-força por polegada quadrada, na sigla em inglês), puxa-se a trava de segurança, que libera a pressão e projeta o foguete para o ar.
“Depois de prontos, eles realizaram treinos de lançamento fora do horário escolar durante dois meses, para que pudessem se preparar para a seletiva interna”, contou o professor Marczal. Essa seletiva funcionou como prova prática da etapa regional da olimpíada, em que as equipes deveriam construir os foguetes e lançá-los a uma distância mínima de 90 metros para se classificarem.
Ao fim dessa etapa, o colégio Túlio de França havia classificado nove alunos do 9º ano, que integravam três equipes, para participarem da competição nacional da Obafog. Para que fosse possível viajar até o local de competição, a escola contou com o apoio da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), que disponibilizou uma van para o transporte das equipes. Além disso, o colégio organizou uma campanha de arrecadação por meio das redes sociais para ajudar nas despesas.
OUTRAS CONQUISTAS – Embora o objetivo do projeto tenha sido a participação nas olimpíadas, o professor Celso Marczal afirma que os benefícios ao aprendizado dos alunos são imensuráveis. “Além de terem de trabalhar com conceitos de química, física e matemática para o processo de construção e lançamento dos foguetes, eles também são estimulados ao desenvolvimento do protagonismo e do trabalho em equipe”, reflete.
Essa percepção é compartilhada pela aluna Pâmela Caldas, de 14 anos. “Eu explorei áreas que não estou acostumada a aprender dentro de sala de aula. Também expandi os meus conhecimentos e sinto que me tornei uma pessoa mais segura com relação aos meus objetivos”, disse ela. Para ela, conquistar o troféu foi um momento mais do que especial. “É um sentimento de realização, pois eu sei o quanto todos se esforçaram para estar lá”, conclui.
Além do aprendizado, o aluno Anderson Pereira, 15 anos, destaca as experiências proporcionadas pelo evento, como a oportunidade de socializar com os outros participantes. “Foi com certeza uma das melhores coisas que já me aconteceram”, diz. “Conheci pessoas de todos os lugares do Brasil e ainda reforcei amizades”.
SOBRE A OBAFOG – Destinada a alunos do 4º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, a iniciativa estimula a prática investigativa, o trabalho em equipe e a aplicação de conceitos de Física e Engenharia de forma lúdica e acessível. Organizada pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), a Obafog conta com diferentes níveis de complexidade para cada faixa etária e também integra as Jornadas de Foguetes, etapa regional ou nacional voltada às equipes que alcançam os melhores desempenhos nos lançamentos.





