Ao escutar uma música pela vez inaugural, seu ouvido parece identificar um eco – “Onde foi que eu já ouvi isso antes?’’. É uma melodia que insiste em se intrometer na outra, como se as duas, de pais diferentes, tivessem secretamente a mãe igual. E pronto, não precisamos de mais nada: estamos diante de um caso de plágio – alguém roubou alguém, mas a mim não enganam! Será? Sim. Ou não. Antes de decidir, não perca “Você diz que o meu samba é plágio”. Aqui estão todos os casos relevantes de cópia, furto, citação, “inspiração’’ ou modesta apropriação de melodias na história da música popular brasileira – e das de outras nações que plagiamos ou nos plagiaram. Prepare-se para muitas surpresas. Este é um livro exclusivo. Fala com absoluta autoridade sobre um problema que pode destruir reputações criativas, condenar canções à morte e nos privar do prazer de ouvir algo que amamos. Juca Novaes e Rodrigo Moraes não são apenas advogados capacitados em Direito Autoral. São também compositores e músicos – sabem ler partituras. A eles, sim, ninguém engana! E sabem também escrever. Você os lerá cantando.
O texto acima foi intencionalmente plagiado, por este colunista, daquele que o jornalista, escritor e colunista da Folha Ruy Castro escreveu na quarta capa do livro, “Você diz que o meu samba é plágio: histórias de plágio (ou não) na música popular brasileira”, modificando-se apenas dez palavras anteriormente utilizadas, no intuito de revelar ao leitor o quanto pode ser fácil plagiar.
Os dez termos (principalmente adjetivos, palavras que caracterizam ou qualificam os substantivos, atribuindo-lhes propriedades, estados ou qualidades) modificados do original, embora nem sempre com a mesma precisão ou intenção, foram: “primeira” (vez) por “inaugural”, “mesma” (mãe) por “igual”, “importantes” (casos) por “relevantes”, “popular” (música) por “nacional” , “outros” (países) por “nações”, “único” (livro) por “exclusivo”, “definitiva” (autoridade) por “absoluta”, “artísticas” (reputações) por “criativas”, “simples” (apropriação) por “modesta” e “especialistas” (advogados) por “capacitados”.
Quanto ao livro, ele investiga casos famosos de plágio (ou suposto plágio) na música brasileira, analisando desde a origem do samba até os dias atuais. Baseado em pesquisa detalhada e em uma abordagem que contempla a música e direito autoral -como bem destaca o texto de Ruy Castro-, Juca Novaes e Rodrigo Moraes reexaminam episódios marcantes, discutem critérios para a definição do plágio e trazem reflexões sobre as fronteiras entre influência, citação e apropriação indevida.
Obra essencial para quem compõe, ouve, lê e se interessa pelo tema e por música, “Você diz que o meu samba é plágio: histórias de plágio (ou não) na música popular brasileira” não tenta colocar um único ponto final nesta questão tão polêmica, mas abre com muita propriedade a possibilidade de futuros debates em torno dela.
LIVRO “Você diz que o meu samba é plágio: histórias de plágio (ou não) na música popular brasileira”
AUTORES Rodrigo Moraes Juca Novaes
EDITORA EDUFBA (Editora da Universidade Federal da Bahia)
PREÇO R$ 58
AVALIAÇÃO Ótimo
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Autor: Folha






