O Conselho de Administração dos Correios aprovou nesta sexta-feira (28) a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões para reestruturar financeiramente a estatal. De acordo com o informado pela empresa, essa é “uma das ações estratégicas de curto prazo que integram o Plano de Reestruturação”.
Os Correios informaram ainda que estão finalizando a documentação necessária para envio à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), responsável por analisar e aprovar a operação, uma vez que o crédito contará com garantia da União. Com o respaldo do Tesouro, o risco de inadimplência para os bancos envolvidos é considerado praticamente nulo.
“As condições financeiras da operação ainda estão sendo tratadas junto às instituições envolvidas e, por ora, não podem ser detalhadas”, disse a empresa em nota. “Todas as informações oficiais sobre o Plano de Reestruturação dos Correios e sobre o andamento da operação de crédito serão divulgadas pelos canais institucionais da empresa”, complementou.
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Segundo a Folha de S. Paulo, um sindicato formado por cinco bancos propôs o empréstimo: Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. A Caixa Econômica Federal, que participou das etapas iniciais da negociação, teria decidido não avançar nas tratativas.
Ainda de acordo com o jornal, os termos do empréstimo foram considerados mais favoráveis do que os discutidos anteriormente, embora o custo da operação permaneça elevado, próximo de 136% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).
A redução de exigências, como a necessidade de garantia adicional via recebíveis futuros, contribuiu para a aprovação interna da proposta.
A Gazeta do Povo procurou os bancos citados e aguarda manifestação. O BTG Pactual informou que não comentará o caso.
Prejuízo quase triplicou e chega a R$ 6 bilhões em 2025
A contratação do empréstimo ocorre em um cenário de grave crise financeira. Entre janeiro e setembro de 2025, os Correios registraram um prejuízo de R$ 6 bilhões, quase o triplo do déficit apurado no mesmo período do ano anterior.
A deterioração nas contas da empresa é atribuída à queda da receita, principalmente nos serviços internacionais, ao aumento das despesas operacionais e ao crescimento dos passivos judiciais trabalhistas.
A receita líquida caiu de R$ 14,1 bilhões para R$ 12,3 bilhões, enquanto os gastos com precatórios e Requisições de Pequeno Valor (RPVs) saltaram de R$ 483,6 milhões para R$ 2,1 bilhões no comparativo anual.
Para enfrentar a crise, os Correios estruturaram um plano de recuperação dividido em três fases. A primeira, de estabilização, prevê o uso dos recursos do empréstimo para recuperar a liquidez.
A segunda, programada para o biênio 2026-2027, inclui modernização tecnológica, reestruturação de unidades ineficientes e contenção do déficit do Postal Saúde. A última fase, a partir de 2027, será focada em parcerias estratégicas e no fortalecimento da competitividade no mercado logístico.
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