domingo, novembro 30, 2025

Encrencas militares estão na história de Augusto Heleno – 29/11/2025 – Elio Gaspari


O general Augusto Heleno, condenado a 21 anos de prisão, revelou durante um exame médico que convive com a doença de Alzheimer desde 2018. Um ano depois desse diagnóstico, ele passou a ocupar a chefia do Gabinete de Segurança Institucional.

A trama golpista de 2022/2023 não foi a única encrenca pela qual Augusto Heleno passou. Na manhã de 21 de outubro de 1977, o capitão Augusto Heleno era ajudante de ordens do ministro do Exército, general Silvio Frota. Que acabara de ser demitido pelo presidente Ernesto Geisel.

Por volta das 10h, do carro de seu chefe, tentou telefonar para o general Fernando Bethlem, comandante das guarnições do Sul, convocando-o para reunião do Alto Comando na qual Frota pretendia emparedar Geisel. Não o achou, pois Bethlem havia ido para o Palácio do Planalto, onde recebeu o convite para assumir o ministério.

Um ano depois, Augusto Heleno era vigiado pelo Serviço Nacional de Informações: “Vale lembrar que o capitão de cavalaria Augusto Heleno, ex-ajudante de ordens do general Silvio Frota e que com o mesmo continua a manter estreita ligação, e o capitão de infantaria paraquedista Burnier (filho do brigadeiro Burnier) e ligado ao general Hugo Abreu, irão cursar a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais”.

Em 2008, o sertanista Sydney Possuelo comparou-o ao coronel americano George Custer (1839-1876), que massacrou índios sioux e foi massacrado no combate de Little Big Horn. Em 2018, ano em que foi diagnosticado o seu Alzheimer, o general Heleno disse na Escola Superior de Guerra que, “na hora em que começarem as operações pontuais [do Exército no Rio], vai aparecer um monte de caras chiando sobre direitos humanos. Se os humanos direitos não têm direitos humanos, primeiro temos que consertar isso”.

Disse mais: “A Colômbia ficou 50 anos em guerra civil porque não fizeram o que fizemos no Araguaia”.

Heleno nunca explicou o que “fizemos no Araguaia”. Lá o Exército combateu uma guerrilha e matou não só os combatentes, mas também os guerrilheiros que se entregaram.

Encrencas militares estão na história da família do general. Em 1912, seu avô, o então capitão de fragata Augusto Heleno, foi designado para o Conselho de Guerra que julgou os marinheiros rebelados naquela que se tornou conhecida como Revolta da Chibata.

Heleno está preso no Comando Militar do Planalto, e sua condenação transitou em julgado. Mesmo assim, fica uma dúvida. Na fatídica reunião de 5 de julho de 2022, antes da eleição, portanto, ele disse:

“Não vai ter revisão do VAR. Então, o que tiver que ser feito tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar soco na mesa é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa é antes das eleições”.

Ele admitia virar a mesa antes, mas foi condenado por uma trama que pretendia dar o golpe depois da eleição.


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