Golpistas estão utilizando IA (inteligência artificial) para criar sites falsos e lojas online que imitam as redes tradicionais para aplicar golpes em consumidores nesta Black Friday. Segundo o Reclame Aqui, foram registradas 431 reclamações no site na edição deste ano.
A IA é usada para fazer com que a loja online pareça legítima e tenha uma aparência profissional e convincente. A maior parte dos sites é impulsionada por anúncios pagos em redes sociais, onde os criminosos patrocinam promoções-relâmpago com descontos altos e produtos muito desejados.
Na pressa de aproveitar as ofertas Black Friday, a pessoa clica no link, paga via Pix e, em segundos, a loja simplesmente desaparece.
Entre os consumidores que estão em busca de ofertas nesta Black Friday, 42% deles disseram que já se depararam com alguma oferta que parecia um golpe feito com IA.
Entre os pontos que chamaram a atenção e os ajudaram a identificar as ofertas suspeitas estão: barato demais para ser verdade (50%), loja fake se passando loja oficial (36%) e urgência desnecessária para fazer a compra (25%).
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) também alertou para falsas lojas online e falsas compras, que podem fazer com que o cliente perca muito dinheiro.
A federação afirma que há ainda o perigo de golpes “engenharia social”, que consiste na manipulação do usuário para que ele forneça informações confidenciais para o roubo de dados pessoais.
As abordagens são feitas com páginas falsas que simulam ecommerce. Golpistas usam promoções inexistentes enviadas por emails, SMS e mensagens de WhatsApp, e ainda criam perfis falsos de lojas em redes sociais.
Se o produto ofertado está com o preço muito abaixo do que é vendido no comércio em geral e se o vendedor está pressionando para fechar logo uma compra, dizendo que ela pode ficar indisponível, a chance de ser um golpe é grande, alerta a Febraban.
“Sempre fique muito atento. O produto tem um preço médio no comércio de R$ 1.000,00, mas alguém está anunciando o mesmo item por R$ 300? Há fotos e vídeos de antes e depois de produtos com resultados mirabolantes? A loja oferece poucas opções de pagamento? O ecommerce é recém-criado em rede social? Pare, pense e desconfie. Pode ser golpe”, afirma Adriano Volpini, diretor do Comitê de Prevenção a Fraudes da Febraban.
Criminosos também clonam sites de varejistas famosos para induzir os consumidores ao erro, colocando uma letra a mais no endereço do site, que muitas vezes fica imperceptível para o cliente ou ainda trocando, por exemplo, uma letra “o” pelo número “0”.
“Por isso, recomendamos que o cliente faça sua pesquisa de preços, e quando escolher a loja, digite diretamente o endereço do site na barra do navegador. Nunca clique em links enviados por emails, SMS ou aplicativos de mensagens e sempre dê preferência para lojas conhecidas”, afirma Volpini.
No caso dos golpes com lojas em redes sociais, os perfis geralmente são recém-criados, com ofertas muito vantajosas e com 100% de depoimentos positivos de compradores recomendando a venda.
“Golpistas criam perfis falsos que investem em mídia para aparecer em páginas e stories de redes sociais, inclusive com depoimentos falsos de compradores. Também usam sites de vendedores de depoimentos e bancos de fotos e vídeos internacionais para dar crédito ao produto e enganar o consumidor”, adverte o diretor.
VEJA DEZ DICAS PARA FAZER COMPRAS SEGURAS NA BLACK FRIDAY
- Dê preferência aos sites conhecidos para as compras e verifique a reputação de sites não conhecidos em páginas de reclamações
- Tenha muito cuidado com emails de promoções que tenham links. Ao receber um email não solicitado ou de um site no qual não esteja cadastrado para receber promoções, é importante verificar se realmente se trata de uma empresa idônea. Acesse o site digitando os dados no navegador e não clicando no link
- Sempre desconfie de empresas que pedem pagamentos antecipados e prometem entregas em prazos longos
- Verifique com atenção as formas de pagamento oferecidas pelo ecommerce e desconfie quando existem poucas opções
- Desconfie das promoções cujos preços sejam muito menores que o valor real do produto, pois criminosos se utilizam da empolgação dos consumidores em fazer um grande negócio para coletar informações e aplicar golpes
- Golpistas criam perfis falsos de lojas e patrocinam posts nas redes sociais para enganar o consumidor. Verifique se a página tem selo de autenticação, número de seguidores compatíveis. Desconfie de páginas recém-criadas
- De preferência para o uso de cartão virtual nas compras online
- Se for fazer uma compra presencial com cartão, sempre confira o valor na maquininha de cartão antes de digitar a sua senha
- Insira você mesmo o cartão na maquininha. Caso tenha entregado o cartão ao vendedor, sempre verifique se o cartão devolvido é realmente o seu. Golpistas costumam aproveitar o momento de empolgação e aglomeração no comércio de rua para trocar o seu cartão
- Se for pagar com Pix, sempre faça o pagamento dentro do ambiente da loja virtual. Quando o varejista fornecer o código QR Code, confira com atenção todos os dados do pagamento e se a loja escolhida é realmente quem irá receber o dinheiro. Só após essa checagem detalhada, faça a transferência. A mesma dica vale para pagamentos com boletos





