domingo, novembro 30, 2025

FGC como marketing vira ponto de atenção após caso Master – 30/11/2025 – Mercado

Após a liquidação do Banco Master, que vai exigir um reembolso de R$ 41 bilhões a investidores pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), as menções à garantia do fundo para venda de aplicações financeiras ganharam os holofotes, afirmou a repórter Nathalia Garcia na edição desta quinta-feira (27) da C-Level Call.

“A questão do marketing é um ponto de atenção. Vamos ver se as instituições se movimentam e se terá algum tipo de pressão sobre o Banco Central [por mudanças]”, disse a repórter da Folha em Brasília.

Liquidado no último dia 19, o Master usava a garantia do FGC –fundo alimentado por bancos que cobre até R$ 250 mil em investimentos– como chamariz para vender títulos de altíssima rentabilidade.

O fundo terá agora que gastar uma quantia recorde para honrar os compromissos firmados pela instituição de Daniel Vorcaro.

Para a repórter Idiana Tomazelli, outro ponto de atenção são as carteiras de crédito fictícias que, segundo a investigação da Polícia Federal, foram vendidas pelo Master ao BRB (Banco de Brasília).

“As investigações vão buscar saber se o Master vendeu carteira de crédito de vento para outras instituições financeiras [além do BRB]”, disse Tomazelli. “Vale a pena a gente ficar atento para ver se alguma outra instituição financeira oficial do governo federal comprou essas carteiras.”

Em outubro, o TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu multar em R$ 10 mil Igor Macedo Laino, ex-diretor da Caixa Asset —braço de gestão de fundos de investimento da Caixa—, por tentar aprovar a compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master.

O relator Antonio Anastasia entendeu que Laino ignorou pareceres técnicos e críticas feitas por unidades especializadas que apontavam liquidez baixa, prazo excessivo, concentração atípica e necessidade de avaliações adicionais sobre a operação com o Banco Master.

Estatais são assunto-bomba dentro do governo

Segundo a repórter Idiana Tomazelli, a situação financeiras das estatais federais –como Eletronuclear, Correios e Casa da Moeda– virou um assunto a ser evitado dentro do governo federal.

As estatais federais tiveram um déficit maior do que a meta prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025, o que exigirá uma compensação adicional do Tesouro de quase R$ 3 bilhões este ano, de acordo com o relatório do Ministério do Planejamento e Orçamento.

“Conversei com um técnico da área econômica que acompanha esse tema e ele comentou que esse é o assunto-bomba, ninguém quer falar disso”, disse a repórter, após citar o caso da Eletronuclear, que cuida das usinas de Angra 1 e 2. “Pessoas a par da situação da empresa falam que não é uma questão de se, mas de quando ela vai colapsar.”


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