A dor no peito durante a atividade física pode ser um indício de que algo não vai bem com o coração. Há outros indicativos como palpitações, dor na região do estômago —que parece problema gástrico, mas é relacionada ao coração—, dores nas costas, na região submandibular e no braço esquerdo que podem demonstrar que algo não vai bem com o músculo.
O médico Jorge Zarur, diretor da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), explica que essas dores são sinais de angina, quando o músculo cardíaco não recebe sangue oxigenado suficiente, geralmente devido a uma obstrução nas artérias coronárias, o que não pode ser negligenciado. Se não tratada, a angina pode evoluir para infarto, insuficiência cardíaca ou arritmia grave.
“Se aparecer um deles [os sinais], já é um alerta para investigação da parte cardíaca”, afirma o médico. Sedentários que começam a se exercitar devem ficar atentos.
Outra evidência frequente até em quem já pratica esporte é o cansaço progressivo. “A pessoa não sente nada de dor, de palpitação, mas um cansaço diferente do que vinha sentindo. Isso é um grande sinal de alerta para avaliar o coração.” Cansar de forma extenuante traz outros riscos associados.
Preste atenção também se sentir tontura, falta de ar ou chegar a desmaiar. A orientação para quem apresentar alguma das manifestações acima é interromper o exercício e procurar um médico.
Se é um desconforto agudo, que não melhora, vá ao pronto-socorro de imediato. Se cessa quando para o esforço, não volte a fazer atividade física até uma avaliação especializada com o cardiologista.
“Quando pensamos em atividade física, existe uma curva entre o ideal e o nada e entre o ideal e o passou do ponto. Por exemplo, eu corro. Se você correr cinco a dez quilômetros, está no ponto saudável. Se você pensar num maratonista, ele passa do ponto saudável. Sempre vou recomendar que antes de iniciar uma atividade física —qualquer uma— seja feita avaliação cardiológica”, afirma Jorge Zarur.
“Isso é o ideal, mas nem sempre o possível. Vamos pensar em quem não tem um plano de saúde e espera uma avaliação do SUS para saber se pode fazer esporte. Eu vou ter muito mais gente sedentária do que hoje, que é tão ruim quanto.”
Segundo o diretor da Socesp, o primeiro exame é uma anamnese aprofundada e direcionada com o cardiologista, avaliação da pressão e eletrocardiograma. Se necessário, o médico deverá solicitar outros exames antes de liberar o paciente para os exercícios.
Pessoas acima do peso devem praticar exercícios, mas é importante lembrar de que existe um risco cardíaco aumentado devido ao depósito de gordura abdominal, o que representa outras ameaças como resistência insulínica, hipertensão, diabetes e colesterol alto.
“Às vezes, o sobrepeso representa um conjunto de fatores de risco intrínseco que ele já tem, não só por carregar uma carga a mais numa corrida, por exemplo. Essa pessoa precisa ser bem avaliada”, orienta Zarur.
“E não basta só ir à academia. Precisa do conjunto da obra para ter desempenho e saúde. O principal remédio para o coração se apoia na atividade física, boa alimentação, no sono adequado e controle do estresse. Isso a gente não coloca na receita do paciente, só a medicação”.
As diretrizes da OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendam, para adultos e idosos, pelo menos de 150 a 300 minutos por semana de atividade física moderada ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa. Esses grupos também devem realizar fortalecimento muscular em, pelo menos, dois dias na semana.
Alguns cuidados
– Não inicie o exercício de forma intensa, faça progressivamente
– Faça um aquecimento leve para preparar o coração e os músculos
– O coração deve voltar ao ritmo normal gradualmente
-Hidrate-se antes, durante e após o exercício
– Não exagere na dose diária e deixe o corpo descansar
Autor: Folha








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