Enquanto Donald Trump cerca o Irã com dois grupos de porta-aviões e diversos outros ativos militares para pressionar por um acordo sobre o programa nuclear do país persa, a teocracia irá promover um exercício naval com seus dois principais parceiros, a China e a Rússia.
Não bastasse a presença nas águas do Oriente Médio de navios de guerra dos dois maiores rivais estratégicos de Washington, a manobra Cinturão de Segurança Marítima ocorrerá no ultrassensível estreito de Hormuz, gargalo por onde passam um quinto do petróleo e do gás produzidos no mundo.
Lá estão sendo realizados, desde a segunda-feira (16), exercícios com tiro real de lanchas rápidas e outras embarcações da Guarda Revolucionária, a elite militar de Teerã. As manobras foram marcadas para coincidir com a negociação ocorrida nesta terça (17) em Genebra, de forma indireta, entre EUA e Irã.
O envio dos navios russos e chineses havia sido anunciado pelo comandante da Marinha regular iraniana, almirante Shahram Irani, no começo do mês. Nesta terça, ele foi enfim confirmado pelo assessor presidencial russo Nikolai Patruchev, que foi o homem-forte de Vladimir Putin na área militar por anos.
A data das manobras não foi revelada, apenas que será nesta segunda metade de fevereiro.
O exercício em si é rotineiro: desde 2019, por iniciativa do Irã, o Cinturão de Segurança Marítima ocorre nas águas em torno do país. Mas ele nunca foi realizado com um grupo de porta-aviões americano e outras diversas embarcações treinando ativamente para atacar Teerã.
Ao menos 12 navios de guerra de Trump estão nas proximidades do Irã, e um segundo grupo de porta-aviões, liderado pela maior belonave do tipo no mundo, o USS Gerald R. Ford, está a caminho. Quando todos estiverem por lá, haverá talvez 600 mísseis de cruzeiro Tomahawk prontos para um primeiro ataque.
Isso fora as 90 aeronaves que cada porta-aviões leva, além do reforço com caças, aviões da ataque, de transporte, reabastecimento aéreo e guerra eletrônica que foi enviado para ao menos três das principais bases americanas na região.
Toda essa mobilização ocorre equanto as negociações continuam. Trump também havia prometido apoio a manifestantes contrários à teocracias, que fizeram os maiores atos desde a instalação do regime islâmico em 1979 no começo do ano, mas depois passou o foco para tentar acabar com o programa nuclear dos iranianos —que ele vê com uma antessala para a bomba atômica.
Patruchev é um linha-dura, mas ele evitou relacionar a manobra com a crise. A Rússia está em meio a negociações mediadas pelos mesmos Estados Unidos para tentar solucionar a Guerra da Ucrânia, e com bastante boa vontade por parte de Trump.
Por evidente, ninguém espera qualquer tipo de confronto, mas a presença de navios de guerra russos e chineses torna uma ação americana contra o Irã menos provável.
Pequim deverá enviar embarcações de sua base em Djibouti, no nordeste africano, onde opera hoje um destróier, uma fragata e um navio de apoio. Já os russos podem recorrer a navios que participaram de exercícios no Índico recentemente e ainda estão na região: duas fragatas e um navio de reabastecimento.
Os iranianos, por sua vez, devem empregar elementos da sua 103ª Flotilha: uma corveta, um navio de comando e um de suprimentos, segundo a imprensa do país.
Autor: Folha








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