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Projeto permite rastreio de câncer no Parque Xingu (MT) – 18/02/2026 – Equilíbrio e Saúde

Um projeto da ONG Xingu+Catu permite que as indígenas do Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, sejam rastreadas para o câncer de colo de útero.

A equipe visita as aldeias, orienta as mulheres sobre sexualidade, HPV (papilomavírus humano) e o cuidado feminino e instrui sobre o teste molecular para detecção do vírus por meio da autocoleta. Uma ginecologista explica como o exame é feito e o oferece às indígenas. É utilizado o RT-PCR, uma tecnologia de análise por DNA. O teste é mais sensível e preciso do que o papanicolau.

Das cerca de 2.000 indígenas elegíveis ao programa no Xingu, 40% foi coberta pelo projeto em cerca de um ano. Deste percentual, 87% realizaram o teste e em 30% o resultado dos exames foi positivo para o HPV. A ONG programou mais três expedições em 2026 para alcançar as áreas restantes.

A iniciativa é conduzida por voluntários e liderada pelo médico radiologista intervencionista Marcos Menezes, do Hospital das Clínicas de São Paulo e do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), além de ter o apoio da rede Dasa (Diagnósticos da América S.A.) e do Instituto Bristol, da biofarmacêutica BMS (Bristol Myers Squibb).

As pacientes também são submetidas a ultrassonografias. As imagens dos exames são transmitidas para a sede do Hospital das Clínicas de São Paulo, onde são feitas as emissões dos laudos e a discussão dos casos.

De acordo com especialistas em saúde, o HPV é o responsável por quase 100% dos casos deste tipo de câncer.

Segundo o médico Marcos Menezes, quando a equipe vai a uma área indígena ou culturalmente diferente, é fundamental ter entendimento sobre a cultura local. “Em populações indígenas, você precisa de uma medicina de culturalidade. Não adianta chegar com o seu conhecimento urbano se não entende a cultura, se aquilo é aceito ou não”, afirma.

“Primeiro, é necessário entender o que isso representa para eles e aí obviamente navegar junto. Eles não aceitam que um ginecologista homem examine a mulher. Isso é uma coisa que não é bem aceita. Então, quanto menos a mulher for manipulada ou exposta, melhor. É um respeito à cultura”, completa.

Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), para cada ano do triênio 2026-2028 são estimados 19.310 casos novos de câncer de colo de útero no Brasil. Destes, 1.730 no Centro-Oeste, onde está localizado o Parque Indígena do Xingu.

Os resultados dos exames são avaliados pela Dasa e compartilhados com a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena). Um agente de saúde indígena vai até a aldeia com um iPad e a ginecologista passa o resultado às mulheres.

“Isso é bastante importante porque receber resultado positivo não quer dizer que a pessoa tem câncer. Ela será encaminhada para tratamento na rede pública de saúde local.

Se a dosagem de HPV der negativa e a paciente não apresentar as cepas oncogênicas (HPV de alto risco), ela pode ficar cinco anos sem fazer o papanicolau.

“É um câncer que pode ser eliminado da população se você tiver uma política pública consistente. Alguns países, como a Suécia e a Austrália, estão conseguindo eliminar o câncer, que é basicamente você vacinar a população —no Brasil, temos a vacina do HPV no SUS— e monitorar quem foi exposta ao vírus”, afirma Marcos Menezes.

O projeto facilita o monitoramento de casos positivos para o vírus em áreas remotas e ribeirinhas.

“O câncer de colo de útero é bastante prevalente no Brasil. Uma política pública dessa vai ser muito importante em áreas em que a mulher não tem tanto acesso. Vamos até lá, dosamos o HPV em toda a comunidade do Xingu, cuidamos de quem está positiva, checamos a vacina e ficamos cinco anos sem olhar para quem apresentou teste negativo. Essa população já vem sendo seguida com o papanicolau”, diz o médico.

“O nosso projeto adiciona mais uma camada de informação que provavelmente vai melhorar o atendimento”.

A vacinação contra o HPV e o teste molecular fazem parte de um conjunto de políticas públicas para acelerar a meta da OMS (Organização Mundial da Saúde) de eliminar o câncer de colo do útero até 2030.

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

Autor: Folha

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