“Son las 12:04 y ya estoy bien loco, llorando y bebiendo pitorro de coco”. O horário preciso dá a medida da dor. Na canção de Bad Bunny é véspera de Natal, o sujeito bebe o pitorro que o avô trouxe para esquecer a amada que se foi.
Pitorro é o rum ilegal de Porto Rico, produzido em pequenos alambiques clandestinos. É comparável ao moonshine estadunidense. Está bastante entranhado na cultura local —já virou tradição, traço de identidade. É de lei no Natal, mas vale para o ano todo.
A maioria dos produtores de pitorro se fixa fora de centros urbanos, para se esconder da fiscalização. Alguns enterram as garrafas para dar um sabor especial (ou para não dar na vista). Também misturam a bebida com frutas —o coco é uma delas.
A palavra vem de pintorro, expressão da Andaluzia para bebida de qualidade inferior. Se isso é questão de gosto ou hábito, fato é que o pitorro é mais forte que o rum industrializado. Há casos em que chega a 80% de álcool, mas o comum é algo entre 45% e 60%.
O rum de marca também está no repertório do cantor e compositor. Em “Café con Ron”, Bunny canta que de manhã toma café; de tarde, rum; de noite, um galão. “Hoy se bebe, hoy se bebe, y nadie nos va a parar”. É festa, o hedonismo tropical em modo contínuo. Havia até um bar chamado Café con Ron em San Juan, capital de Porto Rico.
A música foi gravada com a banda Los Pleneros de la Cresta. São cultores do ritmo chamado plena. Surgiu no começo do século 20, no sul do país, como manifestação de comunidades marginalizadas para compartilhar notícias.
A plena de “Café con Ron” foi apresentada no show do intervalo do Super Bowl, um dos pontos altos dos protestos contra a política anti-imigração do governo Trump. O presidente estadunidense, “rabioso” com tanta sensualidade latina, tanto talento em alto e bom espanhol, acusou o golpe e deu seu piti habitual.
Há um momento no espetáculo em que Bunny entra em um bar cenográfico, em meio aos dançarinos vestidos de jíbaros (trabalhadores rurais), e recebe um shot de rum, que bebe de um gole. Quem o oferece é Dona Toñita, proprietária do Caribbean Social Club, bar no Brooklyn nova-iorquino. Desde os anos 1970, é símbolo de resistência porto-riquenha na cidade.
Ela é mencionada no sucesso “Nuevayol”, em que o filho mais famoso de Porto Rico canta “un shot de cañita en casa de Toñita y PR se siente cerquita”. Na letra, há menções a bairros de maioria latina em Nova York e ícones como Willie Colón, pioneiro da salsa e ativista social, e a pintora Frida Kahlo.
Estranhamente, a turnê “Debí Tirar Más Fotos” é patrocinada pelo tradicional conhaque francês Hennessy, algo muito distante do rum porto-riquenho, que está entre os melhores do mundo, e do pitorro caseiro. A marca até criou alguns coquetéis para a ocasião. Mas já que a Piña Colada nasceu em Porto Rico, vamos de uma variação. E brindar ao sentimento mais forte que o ódio.
Champagne piña colada
- 30 ml de rum blanco
- 20 ml de licor de abacaxi
- 15 ml de champanhe brut
- 45 ml de suco de abacaxi
- 2 colheres de sorbet de coco
Bata os ingredientes com gelo moído no liquidificador. Coe para uma taça flute contendo 45 ml de champanhe brut. Decore com lascas de coco queimado.
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Autor: Folha








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