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Entenda as novas estratégias das facções

As duas maiores facções criminosas do Brasil, PCC e CV, abandonaram a guerra total por territórios nacionais para focar em modelos de negócios distintos. Enquanto o grupo paulista prioriza o tráfico internacional, a organização carioca aposta no controle geográfico e social em periferias.

Qual é a principal diferença de estratégia entre o PCC e o Comando Vermelho hoje?

O PCC atua de forma empresarial e logística, focando no atacado internacional de drogas para a Europa e Ásia, evitando conflitos diretos e tornando-se quase ‘invisível’ nas ruas. Já o Comando Vermelho busca a expansão territorial horizontal, estabelecendo-se como um poder paralelo que controla fisicamente bairros no Norte e Nordeste, governando a rotina e a economia das populações locais.

Como o Comando Vermelho lucra além do tráfico de drogas?

A facção carioca impõe uma economia paralela nas áreas que domina. Isso inclui a monopolização de serviços essenciais, como o fornecimento de internet, a venda de gás de cozinha e transporte alternativo. Além disso, comerciantes locais são obrigados a pagar taxas de segurança, transformando o domínio geográfico em um ativo financeiro e político constante frente ao Estado.

Por que o PCC prioriza os portos e aeroportos em vez do tráfico nas favelas?

O grupo percebeu que o mercado interno brasileiro é menos lucrativo que o exterior. Na Europa, por exemplo, o quilo da cocaína vale até cinco vezes mais. Por isso, a facção se especializou na logística de escoamento da droga vinda de países vizinhos para grandes hubs de transporte, mantendo parcerias com máfias globais para garantir operações financeiras e lavagem de dinheiro sofisticadas.

O que causou o fim da antiga aliança entre esses dois grupos em 2016?

Até 2014, as facções mantinham uma paz informal. O estopim do rompimento foi o assassinato do traficante Jorge Rafaat Toumani, o ‘Rei da Fronteira’. Com sua morte, o PCC assumiu o controle direto da Rota Caipira (via Paraguai), dispensando intermediários e prejudicando o abastecimento do Comando Vermelho no Rio de Janeiro, o que gerou massacres no sistema prisional e guerra aberta.

Como essa ‘divisão de tarefas’ afeta a segurança pública brasileira atualmente?

O Brasil vive um cenário dual. No Rio de Janeiro e nas regiões Norte e Nordeste, o cidadão sente o impacto direto da violência e das taxas impostas pelo CV. Em São Paulo e nos centros logísticos, o impacto do PCC é mais silencioso e infiltrado na economia formal, como em transporte público e postos de combustíveis, exigindo que o Estado desenvolva respostas diferentes para cada modelo de crime.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

VEJA TAMBÉM:

  • Enquanto Comando Vermelho mira expansão e domínio de território, PCC investe na internacionalização

Autor: Gazeta do Povo

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